Sete lava-jatos de Cuiabá e um de Várzea Grande, todos localizados nas proximidades ou nas margens do rio Cuiabá, estão sendo apontados por fiscais do governo como potenciais poluidores do meio ambiente. Inspeções realizadas em julho após denúncia encaminhada à Assembleia Legislativa constataram irregularidades e levaram a multas que variam de R$ 2 mil a R$ 20 mil. Os fiscais detectaram, na maioria dos lava-jatos inspecionados, instalações precárias para escoamento da água utilizada, além da falta de licenciamento ambiental. Também foram vistos casos em que não havia sistema de tratamento da água utilizada para lavagem dos carros e dois em que as empresas estavam localizadas em área de proteção permanente (APP) do rio Cuiabá. Também foram inspecionados quatro lava-jatos localizados em Santo Antônio de Leverger (34 km de Cuiabá) todos considerados pelos fiscais poluidores em potencial. Foram lavrados termos de embargo/interdição e, em alguns casos, foi determinada a paralisação das atividades até o licenciamento ambiental. A maioria dos donos de lava-jatos está na região há anos e alega não ter condições de pagar à vista as multas do Meio Ambiente estadual (Sema). Outros reclamam das exigências para regularização. Costumam ser exigidas caixas de concreto para destinar e filtrar a água utilizada com os carros, além de canaletas para escoamento. Um dos mais antigos é Antônio de Oliveira Neto, 57, há 22 anos trabalhando no terreno à beira do rio Cuiabá (avenida Beira-Rio). Trata-se de uma APP, mas ele conta que nunca ninguém reclamou por ele trabalhar ali e se mostra surpreso com a multa repentina de R$ 20 mil aplicada pela Sema. Ele nem sabe quanto tempo teria de trabalhar para conseguir pagar e afirma que nunca jogou água de limpeza de carros no rio. Entretanto, a Sema reprovou as caixas que ele montou no solo para lançar e filtrar a água utilizada. Assim como Antônio, a também dona de lava-jato Maria Olinda de Barros Costa mostra-se indignada com a multa de R$ 5 mil que recebeu dos fiscais e vai contestá-la na Justiça. O pessoal só mexe com quem está trabalhando. Vou tirar isso de onde?, ataca, lembrando que são caros demais os procedimentos exigidos dos lava-jatos para se regularizarem. (RD)