O desembargador José Luiz de Carvalho, do Tribunal de Justiça do Estado, acatou pedido de prisão domiciliar em favor do empresário Júlio Uemura, preso durante a Operação Gafanhoto, junto com outras oito pessoas há uma semana. Uemura seria solto ontem. Ele é acusado de liderar uma quadrilha armada que praticava estelionato, sonegação fiscal e outros crimes graves, como possíveis homicídios. Uma das testemunhas que prestaram depoimento ao Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) afirmou ter conhecimento de que dois homicídios, cujas autorias nunca foram descobertas, teriam sido encomendados pelo empresário. O juiz da 15ª Vara Criminal, José Arimatéia, encaminhará a informação para a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e avaliou que a soltura do empresário trará grande prejuízo para o processo judicial. Muita gente tem medo dele. As vítimas acabam ficando caladas. Uemura contava com laranjas e políticos, entre eles o ex-deputado estadual Walter Rabello, denunciado por tráfico de influência. Em troca de patrocínio político, Rabello ajudava Uemura a liberar cargas irregulares de hortifrutigranjeiros nos postos de fiscalização da Secretaria de Estado de Fazenda e disponibilizava cargos na Assembleia Legislativa (AL) para a livre indicação pelo amigo. O juiz solicitou que em 20 dias a AL revele todas as pessoas empregadas por Rabello.