CIDADES
Quinta-feira, 25 de Outubro de 2012, 22h:30
A
A
VIOLÊNCIA SEM FIM
Jornalista é intimidada por capitão
Recados que exaltam a violência são publicados e replicados pela rede social. Alguns dos seguidores do militar mandam recados para vítima
O oficial da Polícia Militar, capitão Eduardo Ticianel Paccola abusa da violência verbal em sua página de Facebook e intimida a jornalista Lisânia Ghisi. A situação já chegou ao Secretário de Segurança Pública do Estado, Diógenes Curado, e a Corregedoria da PM, que abriu inquérito para investigar o caso. A Ordem dos Advogados do Brasil, seccional de Mato Grosso, e o Sindicato dos Jornalistas (Sindijor) já publicaram nota em favor da profissional. De acordo com Lisânia, tudo teve início na sexta-feira, quando o policial militar Devailson Gonçalves da Cruz foi assassinado no bairro Mapim, em Várzea Grande. No sábado de manhã, a jornalista recebeu a informação de que um capitão da PM havia se manifestado de forma agressiva em sua página virtual. Visitando o perfil do capitão Paccola, de livre acesso ao público, Lisânia constatou o comentário, que dizia: Luto. Que Deus conforte o coração da família do nosso irmão de farda e já acaliente (sic) o coração da família dos que fizeram essa atrocidade, porque quando nossas garras tocá-los, eles não viverão mais um dia para ver o sol nascer! Pra cima deles, força e honra sempre!. Para realizar a matéria, que foi publicada ao final de uma das páginas do jornal A Gazeta, a jornalista entrou em contato com o próprio capital, o comandante do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) e o subcomandante da PM. No dia da publicação, Paccola tirou uma foto da reportagem e publicou em sua página, insinuando que muitos estão para explodir de felicidade achando que mudarão minha forma de agir, mas afirmando que isto é um puro engano. A postagem gerou 112 comentários, 84 compartilhamentos e o like de 216 pessoas. Muitos dos comentários (ver tabela) incitam a violência e todos dão apoio, quase que incondicional, ao capitão. De acordo com Lisânia, muitas pessoas apontaram que se o ocorrido tivesse sido com a família dela, a reportagem não teria acontecido. Há dez anos, meu avô morreu com 7 tiros, vítima de um assalto. E este ano meu pai também foi baleado em um assalto. Mas não é por isso que devemos sair matando, não é desse jeito que as coisas tem concerto. A jornalista ainda esclareceu que depois do ocorrido, o capitão tentou adicioná-la no Facebook, mas não foi aceito. Um dos contatos de Paccola mandou uma mensagem diretamente para Lisânia, falando bandido bom é bandido morto. Clichê, mas verdade. Publica isso. Entre os 112 comentários da matéria, uma pessoa publicou o link da página de Lisânia, permitindo o acesso direto ao perfil da jornalista. Devido aos dizeres do capitão e as manifestações agressivas, Lisânia procurou o subcomandante da PM, que afirmou que Paccola seria chamado pra esclarecer a situação. No dia seguinte, o capitão fez outra postagem, dizendo: Eu entrego todos os dias minha vida ao meu trabalho, e por vezes lhe ofertei minha morte! Quer me julgar? Não tem problema, corra os riscos que eu corri na vida tentando salvar pessoas como você, e lhe ouvirei totalmente calado. Como o capitão deu continuidade ao caso, Lisânia acionou a Secretaria de Estado de Segurança Pública, o Sindijor e a OAB-MT, que entrará com uma representação criminal junto ao Ministério Público Estadual.