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CIDADES
Terça-feira, 16 de Novembro de 2010, 20h:07

MÁFIA DA SECA

Investigação de suposto esquema pode seguir com CPI

RENÊ DIÓZ
Da Reportagem
Vereadores de Cuiabá definirão amanhã se a investigação sobre a “máfia da seca” na Capital seguirá por meio de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Devido às ausências de depoentes que prejudicaram a apuração do suposto esquema, o relator da comissão especial instalada responsável pelo caso, Antônio Fernandes, vai propor aos demais vereadores que instalem a CPI a fim de terem poder de obrigar depoentes faltosos a darem suas declarações. A máfia da seca é um suposto esquema denunciado por consumidores de água da Sanecap. Mediante propina, funcionários da empresa de saneamento estariam cortando o abastecimento de água para residências com a intenção de forçar os consumidores a recorrerem às empresas de caminhões-pipa. Entretanto, a comissão especial instalada na Câmara para investigar este assunto acabou abrangendo e apurando um rol variado de outras denúncias anônimas contra os serviços e suposta negligência da Sanecap. A comissão escalou consumidores da Sanecap, funcionários, diretores e empresários de caminhões-pipa como depoentes em audiências na Câmara e nos bairros atingidos pela seca supostamente proposital. Entretanto, o cronograma foi furado por ausências como a de dois consumidores e do presidente do bairro Serra Dourada, Carlos Leite. Segundo o relato da comissão, ele possuía uma chave do registro de água da Sanecap sem ser funcionário da empresa. Mesmo visto na galeria da Câmara nas sessões, ele teria ignorado os convites para depor. Ausências igualmente prejudiciais às investigações foram as dos empresários de caminhões-pipa Geraldo Lima, da Água Brasil, e Nino, da Gota de Cristal. Eles não justificaram as ausências, tal como o motorista da Sanecap Agmar Silva e o manobrista da região do bairro Altos da Boa Vista, apontado somente como “Wilson”. Com o cronograma atropelado, o relatório da comissão conclui uma série de situações irregulares. Entre elas, “que a Sanecap não tem total controle em seus equipamentos de distribuição de água”, que “alguns servidores forçam consumidores a pagar propinas a eles”, que “os consumidores, além de pagarem à Sanecap sem que recebam o produto, ainda tem que comprar água em empresas particulares”. O relator Antônio Fernandes argumenta que essas situações não podem ser devidamente investigadas caso os vereadores não tenham poder coercitivo. Por isso, no voto ele propõe a instalação de uma CPI, que, por lei, tem poder de intimar os depoentes. Ele espera que a Câmara tenha quorum na quinta-feira para decidir sobre este mecanismo ou outra forma de fazer andar as investigações.

Edição EDIÇÃO 16968




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