CIDADES
Segunda-feira, 09 de Junho de 2008, 21h:04
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CIRURGIA
Investigação começa hoje
Verificar indícios de negligência médica dentro de 30 dias
é o foco do inquérito aberto pelo CRM sobre morte de Heidi
DANA CAMPOS
Especial para o Diário
O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM) abre hoje o inquérito administrativo para apurar se houve negligência por parte do otorrinolaringologista Francisco Geraldo Lucio Silva, responsável pela cirurgia reparadora de nariz que resultou na morte da oficial de justiça Heidi Aparecida de Almeida, de 34 anos, na última sexta-feira. O prazo para concluir as investigações é de 30 dias. O procedimento cirúrgico foi realizado no hospital Otorrino, em Cuiabá. Conforme o advogado da família de Heidi, Juberly Soares Varella Júnior, o próprio médico chegou de explicar à família a forma como a oficial reagiu à cirurgia. De acordo com ele, o otorrinolaringologista informou que ela teve uma parada cárdio-respiratória e que, para reanimá-la, foi necessário um esforço muito grande da equipe. Eles chegaram de perfurar o fígado dela e, depois, tiveram que submetê-la à outra cirurgia, na região do abdômen. Provavelmente ela não resistiu a essa segunda cirurgia. A família de Heidi faz questão que seja investigada a causa da morte da oficial de justiça. Segundo o presidente do CRM, Aguiar Farina, caso seja confirmada a negligência do médico, poderá ser aplicada uma punição administrativa, que vai desde uma advertência confidencial até a cassação do registro profissional. Quanto a suspeita de erro médico, o presidente disse não acreditar que tenha ocorrido algum procedimento irregular antes, durante e após a cirurgia. Pode ter ocorrido alguma complicação, mas, até o momento, não há nada que indique se realmente houve negligência. Entretanto, Farina afirmou que cabe ao Conselho investigar o procedimento cirúrgico ocorrido naquele dia. O presidente do órgão não soube precisar se Francisco Silva já respondeu a outros procedimentos administrativos no CRM. Conforme o advogado, após a morte da oficial, o hospital não se pronunciou. Em nenhum momento o hospital sequer enviou uma coroa de flores. Nenhuma nota lamentando o ocorrido. E esse é um dos motivos que está levando a família recorrer à Justiça. Para ele, o descaso com que o médico e também a administração do hospital está lidando com o fato faz com que a família se revolte ainda mais. Segundo Varella Júnior, a solicitação do exame de necropsia foi feita porque não foi explicado à família de que forma realmente Heidi morreu. Porque ela foi submetida a outro tipo de exame, sendo que ela foi lá pra realizar uma cirurgia no nariz e saiu morta. Essa é a indignação da família. A reportagem entrou em contato com a administração do hospital, que disse, por meio da secretária, que amanhã será divulgada uma nota de esclarecimento. A unidade também informou que o médico envolvido no caso está viajando e deverá retornar na segunda-feira. No entanto, não foi fornecido o contato para que ele pudesse se pronunciar sobre sua versão dos fatos.