CIDADES
Segunda-feira, 12 de Abril de 2010, 21h:15
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ABRIL VERMELHO
Integrantes do MST acampam no Incra
Cerca de 200 membros do movimento tomaram sede do órgão como parte da programação nacional para marcar massacre e cobrar realização de assentamentos
JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Aproximadamente 200 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) estão acampados desde o início desta semana na sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Cuiabá. A mobilização faz parte da jornada nacional de lutas pela reforma agrária, realizada anualmente em memória do Massacre de Eldorado de Carajás, no Pará, onde 19 pessoas foram mortas, em 17 de abril de 1996. Como os trabalhadores adentraram o pátio do órgão, os servidores decidiram deixar o prédio, conforme determina a portaria interministerial 325/1998. Em função disso, os trabalhos foram interrompidos. Estamos retomando a pauta da marcha de abril do ano passado. Em Mato Grosso, a reforma agrária não anda, disse Antônio Carneiro de Menezes, membro do MST. Segundo ele, 2.500 famílias ligadas ao movimento esperam ser assentadas no Estado. Temos acampamentos em Cáceres com mais de 10 anos. A velocidade que se assenta no Estado é aquém da demanda, acrescentou. Em contrapartida, ele afirmou que a situação de vários assentamentos é precária. Dois exemplos são as áreas denominadas Olga Benário e Renascer, em União do Sul (719 quilômetros da Capital, ao norte). Faz três anos que as famílias conquistaram a terra, mas o Incra não parcela, disse. Conforme Menezes, só após o parcelamento é que os recursos são liberados pelo órgão federal aos assentados para investimento em assistência técnica e benfeitorias como construção de estradas e poços artesianos. Nos dois assentamentos vivem 80 famílias. Além disso, somente duas áreas, a Antônio Conselheiro, em Tangará da Serra, e Roseli Antunes, em Mirassol DOeste, receberam verbas para obras no ano passado. Mas vão executar as obras ainda neste ano, frisou. Menezes também afirmou que 66% dos assentamentos feitos nos últimos anos ocorreram na região Amazônica. O governo está incentivando a ocupação da Amazônia, afirmou. As famílias acampadas em frente ao Incra são de todas as regiões do Estado. Elas são da região de Cáceres, do norte e médio norte e se juntaram aos integrantes do MTA (Movimento dos Trabalhadores Acampados), que já estão no pátio do órgão há mais de uma semana, informou. Ainda no final da tarde de ontem, os integrantes do MST realizariam assembleia para discutir os rumos do movimento. A jornada de lutas, também conhecida nacionalmente como Abril Vermelho, prossegue pelo menos até maio. O pessoal está insatisfeito com a política do Incra e preparado para ficar 40 dias. Na nossa pauta também queremos dizer que lutar não é crime e que qualquer classe social pode batalhar por melhorias, observou Menezes. O superintendente do Incra, Willian César Sampaio, disse que o órgão tem conhecimento da pauta de reivindicação do MST e tem feito o possível. O movimento tem conhecimento de passo a passo de cada processo, disse. Ele citou ainda algumas áreas de reivindicação do MST que foram adquiridas no ano passado, como as Fazendas Serra Verde, em Barra do Garças, e Panorama e Rio Azul, ambas localizadas no município de Cláudia. A Bordolândia (em Bom Jesus do Araguaia) conseguimos a imissão na posse, informou. Ainda ontem, o superintendente se deslocava para o assentamento Paiol, em Cáceres, para a liberação de casas. Sampaio disse ainda que iria manter e buscar o diálogo para que os integrantes do MST que ocuparam o pátio do órgão deixassem o local espontaneamente. Porém, não descartou adotar medidas judiciais para garantir a integridade física do Incra.