CIDADES
Quinta-feira, 14 de Junho de 2007, 20h:26
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MORTE NO TRABALHO
Incidência em MT 4 vezes maior que nacional
Tese de doutorado de professor da UFMT demonstra que ocorrências de óbitos por danos no trabalho aumentam ano após ano no Estado
RODRIGO VARGAS
Da Reportagem
Luiz Sérgio de Moraes, 40 anos, atingido por placas de concreto pré-moldado. Natalino Abílio da Silva, 49, soterrado quando trabalhava em na obra de uma valeta. Sem equipamentos individuais de proteção, morreram no espaço de uma semana, a serviço de empresas de construção civil em Cuiabá. Hoje fazem parte de uma estatística que só faz aumentar em Mato Grosso. É o que adverte o médico Wanderlei Pignati, professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em um dos capítulos de uma tese de doutorado que será apresentada hoje, na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Rio de Janeiro. Segundo ele, o número de acidentes tem crescido não apenas em termos nominais, mas também na incidência a proporção de ocorrências em relação ao número de trabalhadores. Em 2004, ocorreram 6 mil acidentes. No ano passado, foram 8 mil. A taxa hoje é de 16 casos por cada grupo de mil trabalhadores. A média nacional é de 5 ocorrências por mil. No Rio Grande do Sul, são 2 por mil. Destes acidentes, muitos são graves e resultam em mortes. Segundo explicou o professor, Mato Grosso é o campeão nacional no que se refere às taxas de letalidade e mortalidade no trabalho. Letalidade é o percentual de acidentes que resultam em mortes No estado, 20 por mil contra uma média nacional de 5 por mil. Mortalidade é a quantidade de mortes dividida pelo número de trabalhadores 34 por cada grupo de 100 mil trabalhadores. Mato Grosso lidera este ranking há quatro anos. Só não vê quem não quer, avalia o professor, que prevê a piora nos indicadores, com a ampliação dos investimentos em setores que contribuem com muitos casos, como o de produção de açúcar e álcool. Tem que haver uma união de esforços. Só a Delegacia Regional do Trabalho não vai dar conta. FISCALIZAÇÃO O presidente da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias de Mato Grosso (Fetiemt), Ronei de Lima, concorda com a avaliação de Pignati. Segundo ele, a situação vem piorando em todos os principais segmentos empregadores no Estado. Nesta estimativa, o setor agropecuário é o campeão de casos. De 2002 a 2004, segundo o presidente, foram 3.616 acidentes. Em segundo lugar vem o setor madeireiro, com 2.150 casos. Na construção civil que responde pelas cinco mortes de trabalhadores registradas em 2007 , foram 1107 ocorrências. Para Lima, grande parcela de culpa está na falta de interesse dos empresários. Em muitos casos, não se trata de uma questão de dinheiro. São medidas simples de proteção que são ignoradas. Muitos acidentes e mortes poderiam ser evitados se houvesse consciência dos empregadores. Ampliar a fiscalização e as multas, na opinião do presidente, é a única maneira de reverter este quadro. Quando começar a doer no bolso, este descaso vai acabar.