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CIDADES
Quarta-feira, 14 de Março de 2007, 21h:01

SAÚDE

Incerteza sobre omissão

SMS abre sindicância para apurar se falta de médicos no CPA I colaborou para morte mais rápida de menino afogado

RODRIGO VARGAS
Da Reportagem
A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) abriu um processo administrativo para apurar as circunstâncias da morte do garoto Leonam Bruno Muniz Índio, de 4 anos de idade, vítima de um acidente doméstico ocorrido na manhã de ontem. Levado com urgência à policlínica do CPA I, ele só foi encontrar atendimento médico no Pronto-Socorro de Cuiabá. “Não sei em que estado a criança chegou à policlínica, mas aqui deu entrada sem sinais vitais. Não havia pulso, por exemplo, e as pupilas estavam dilatadas. Ela foi encaminhada ao box imediatamente. Tentamos todos os procedimentos, mas não houve resposta” relatou o médico Domingos Sávio, que fez o atendimento. Leonam provavelmente se afogou em um balde dentro do banheiro de casa, à rua 63 do CPA II. Ele foi encontrado por sua babá logo no início da manhã. Como os pais do garoto já haviam saído para o trabalho, ela recorreu a um vizinho para levá-lo até a policlínica, a cerca de dez quadras dali. No local, não havia médico de plantão. Até o Pronto-Socorro, em um horário de trânsito normalmente difícil, o trajeto teria durado cerca de 20 minutos. “Em casos de asfixia como esse, é fundamental que a vítima seja atendida imediatamente, pois a morte pode ser muito rápida”, apontou Sávio. A SMS confirmou que a policlínica do CPA está sem pediatra. O único profissional que fazia este atendimento pediu rescisão de contrato recentemente. A investigação tentará apurar se houve negligência no atendimento à criança. Em entrevista à televisão Centro América, o delegado Márcio Pieroni, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa, disse que não pretende abrir inquérito sobre o caso, por considerar que tenha se tratado de uma morte acidental. MÉDICOS – A demissão de médicos, insatisfeitos com os salários e as condições de trabalho na rede pública municipal, não tem desfalcado apenas as policlínicas. No PS, cinco pediatras pediram demissão e outros cinco se desligaram do atendimento no plantão. Anteontem, a falta de profissionais gerou filas, confusão e demora no atendimento – em nota oficial, a SMS disse que a culpa era de uma “virose”, que fez dobrar o número normal de atendimentos (ver matéria). Ontem, a situação era menos crítica. “Já conseguimos contornar a situação”, assegurou o assessor de Gestão, Anderson Felipe.

Edição EDIÇÃO 16960




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