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CIDADES
Segunda-feira, 03 de Agosto de 2009, 21h:05

SEM-TERRA

Incêndio marca expulsão de área

RENÊ DIÓZ
Da Reportagem
Barracos de um acampamento sem-terra foram incendiados por homens armados neste fim de semana, na área da fazenda Araúna, localizada no município de Novo Mundo (a 785 quilômetros de Cuiabá), extremo norte de Mato Grosso. O incêndio ocorreu após a expulsão dos sem-terra, que foi forçada à bala pelo mesmo grupo na noite de sexta-feira. Não houve feridos no incêndio, apenas um homem de aproximadamente 40 anos foi atingido de leve na canela durante a expulsão. Os sem-terra afirmam ter sido ameaçados por homens que suspeitam ser capangas do fazendeiro Marcelo Bassan. Os relatos dos trabalhadores chegaram à Polícia Militar, que foi averiguar o local no dia seguinte. De acordo com que os sem-terra contaram à PM, eles já estavam estabelecidos na propriedade há cerca de três anos, com o argumento de que a área é improdutiva. Segundo o que disse a líder do grupo à polícia, Leandra Miguel, eles apenas esperavam a conclusão do processo de reforma agrária junto ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). O órgão informou ontem que as terras ocupadas pelo fazendeiro Marcelo Bassan são da União e a Advocacia Geral da União (AGU) não pôde informar se há proposta de ação reivindicatória para incluir a área em processo de reforma agrária. Entretanto, há a possibilidade de que outras ações se refiram à propriedade, caso o nome da fazenda tenha eventualmente sido modificado. A Promotoria de Justiça de Novo Mundo, que se manifestou através de nota da assessoria de imprensa, esclareceu ontem que está acompanhando o caso da expulsão e do incêndio no acampamento sem-terra. O órgão precisa ainda analisar a documentação do Incra sobre as terras e a questão e está aguardando gravações que os sem-terra afirmam ter do momento da expulsão e das ameaças por parte dos supostos capangas. Após o episódio, os trabalhadores estão acampados às margens da fazenda, na estrada de acesso. Segundo a PM, eles são um grupo de 30 pessoas e não de 112 famílias, como a líder afirmou.

Edição EDIÇÃO 16962




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