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CIDADES
Terça-feira, 11 de Agosto de 2009, 21h:24

COPA 2014

Impasse sobre utilização de parques

Áreas ambientais da Capital, como Mãe Bonifácia, foram alvo de discussão em audiência. Poder público quer explorar e ambientalistas, preservar

ALECY ALVES
Da Reportagem
A utilização dos parques ambientais urbanos da Capital durante a Copa de 2014 virou motivo de divergência entre autoridades e entidades que planejam os acontecimentos dos próximos cinco anos. Os espaços do Mãe Bonifácia, Massairo Okamura, Tia Nair e Dante de Oliveira foram alvo de uma audiência pública na Assembléia Legislativa, realizada ontem, que não chegou a um denominador comum. Enquanto dirigentes de órgãos públicos esperam transformar esses espaços em centros de encontros de torcedores para assistir os jogos, a exemplo do que acontece nos chamados “fun parks” europeus, como o Parque das Nações, em Lisboa, Portugal, os ambientalistas rejeitam a idéia da presença de telões, holofotes e multidões neles. Proposta pelo deputado Carlos Brito, a audiência reuniu secretários estaduais, municipais e diretores de órgãos de Meio Ambiente e de Turismo, além do promotor do Meio Ambiente Urbano, Gerson Barbosa, de ambientalistas e professores da UFMT. A professora do Departamento de Botânica e Ecologia da instituição, Vera Lúcia Guarin, alertou sobre a necessidade de pensar na preservação da flora e fauna, antes de decidir sobre essa ocupação dos parques. À noite, disse, não se pode ligar luzes, telões e fazer ruídos que prejudicam o descanso dos animais. “E o sono dos animais, como fica?”, indagou. Como são parques ambientais, frisou Vera Guarin, é fundamental estabelecer como cada espaço pode ser utilizado, desde a abertura de trilhas até a instalação dos pedalinhos (brinquedos dispostos em lagos naturais ou artificiais). Ela lembrou que grandes eventos como encenações natalinas e da Páscoa foram proibidas no Parque Mãe Bonifácia por causa dos impactos ambientais. O secretário estadual de Turismo, Yuri Bastos, disse que não vê razão para não transformar parques como o Tia Nair como um “fun park”, para a Copa de 2014. Declarando-se um profundo conhecedor da área, ele disse que lá não há animais. “Freqüentei essa área na infância, quando ainda era uma fazenda”, atestou. A necessidade de elaboração de plano de manejo para todos os parques foi consenso entre os participantes. O secretário estadual do Meio Ambiente, Luiz Henrique Daldegan, assumiu o compromisso de incluir no orçamento da Sema para 2010 recursos específicos para estudos e construção desse plano. Antecipando-se, o promotor Gerson Barbosa disse que fez notificações recomendatórias com a exigência de plano de manejo tanto para os parques estaduais como municipais e deve protocolá-las nos próximos dias. Ele disse que essa atuação tem como base laudos de peritos da própria Sema. A audiência encerrou com a proposta de criação de um grupo de discussão, estudo e elaboração do plano. A Sema será responsável pela articulação desse trabalho.

Edição EDIÇÃO 16959




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