CIDADES
Terça-feira, 01 de Julho de 2008, 22h:04
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SANTA CASA
Impasse com SMS prejudica usuários
ANA PAULA BORTOLONI
Da Reportagem
O mal-estar de longa data entre o provedor do Hospital Santa Casa de Misericórdia, Luis Felipe Sabóia, e o secretário municipal de Saúde, Luiz Soares, está causando prejuízo para os pacientes que aguardam na fila para serem atendidos. Até ontem, 119 leitos do hospital estavam vagos, sendo 62 na enfermaria infantil e 57 na adulta. Na segunda-feira, apenas uma cirurgia do SUS foi feita, enquanto a média diária chega a 40. As explicações para a vacância são diferentes. Enquanto a diretoria da Santa Casa se diz perseguida pela Secretaria, com a existência de boicote no envio de pacientes pela Central de Regulação, Luiz Soares denuncia outra irregularidade. Segundo o secretário, o hospital estava escolhendo quais pacientes iria atender, dependendo do valor do procedimento. O que era filé eles queriam, o que era osso não, declara. Na primeira quinzena de maio, a SMS enviou um ofício à Santa Casa em que cobrava a existência de 218 pacientes na fila do atendimento. Ao invés de ter agendado a cirurgia, o hospital teria engavetado os papéis que não seriam interessantes financeiramente. A prática, segundo Luiz Soares, não se restringe apenas ao referido hospital, mas admite que apenas a Santa Casa foi notificada até agora para resolver a situação. A todos os conveniados ao SUS, no entanto, será dado um prazo até o dia 30 de agosto para a adequação. A situação, conforme a direção do hospital, piorou desde o dia 24 de junho. Por causa da falta do atendimento, a partir de hoje deve ser reduzida a escala de trabalho dos médicos e enfermeiros, de acordo com a demanda. Os funcionários marcaram para o meio-dia uma manifestação em frente ao hospital, denunciando o que chamam de boicote do gestor da Saúde de Cuiabá. Enquanto isso, o Pronto-Socorro está lotado, com pacientes sem medicação, sem enfermeiros, aponta o presidente do Sindicato dos Profissionais da Enfermagem, Dejamir Soares. Administradora da Santa Casa, Candelária Ribeiro diz que na Central de Regulação a informação passada aos pacientes era de que o hospital estava lotado ou até mesmo fechado. Tem gente mentindo na central de vagas, acusa. Secretário de Saúde pela segunda vez a primeira foi na gestão de Roberto França (sem partido)-, Luiz Soares admite abertamente que há divergências entre ele e Sabóia. Em abril deste ano, as rusgas entre os dois voltaram a ser expostas após a Vigilância Sanitária interditar o Centro de Material Esterilizado e a lavanderia da unidade, baseada em irregularidades detectadas. Na ocasião, o provedor apontou a existência de uma dívida que ultrapassava R$ 1 milhão. A Santa Casa conquistou liminar obrigando o pagamento, que foi derrubado após a Secretaria recorrer. Após vários encontros, conforme Soares, chegou-se ao valor de R$ 135,7 mil, pago na sexta-feira.