CIDADES
Terça-feira, 25 de Maio de 2010, 21h:17
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AFOGAMENTO
Homicídio qualificado
Dois oficiais da PM são apontados por matar, sem chance de
defesa e por pura perseguição, soldado alagoano em treinamento
ADILSON ROSA
Da Reportagem
A Polícia Civil indiciou cinco militares - sendo dois tenentes e três praças - por um assassinato e três tentativas de homicídio ocorridos durante uma das etapas do treinamento do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer) da Polícia Militar para novos tripulantes de helicópteros. Os dois oficiais são acusados de homicídio triplamente qualificado, responsabilizados pela morte do soldado alagoano Abinoão Soares de Oliveira. Os crimes ocorreram no dia 24 de abril, na represa localizada no Clube de Golfe de Cuiabá, a caminho da usina de Manso. A delegada Ana Cristina Feldner ainda pediu a prisão preventiva de todos os acusados. O inquérito foi concluído um dia depois de a Justiça decidir pelo trancamento da investigação civil, mantendo apenas o Inquérito da Polícia Militar, a ser julgado por Vara específica. A conclusão civil, conforme a decisão, deveria ser anexada ao procedimento militar e ocorreu em decorrência do pedido de sete policiais do Batalhão de Operações investigados no caso. Dentre eles estão os cinco denunciados. Pelo assassinato do soldado Abinoão de Oliveira, aos 34 anos, a delegada indiciou os tenentes PMs Carlos Evane Augusto e Dulcésio Barros Oliveira, conhecidos como tenentes Evane e Barros, por homicídio triplamente qualificado - motivo torpe, recurso que impossibilitou a defesa por parte da vítima e por meio de tortura. Pelas três tentativas de homicídio, foram indiciados o soldado PM Saulo Ramos Rodrigues, o cabo PM Antônio Vieira de Abreu Filho e o sargento Moisés Fidelis Pereiraa, além do tenente Evane. O inquérito foi protocolado ainda ontem no Fórum Criminal da Capital. A delegada justificou o pedido de prisão preventiva alegando que, se os cinco militares fizeram isso com outros policiais, imagina, então com pessoas comuns, comentou, durante coletiva concedida à imprensa. Ontem de manhã, no auditório da Polícia Civil, a delegada apresentou a conclusão do inquérito, que tem 800 páginas. Ela entendeu que a morte de Abinoão ocorreu com dolo direto, pois frisou que o tenente Evane não estava sequer escalado para fazer a etapa do treinamento do dia 24 de abril (sábado), pois estava em serviço no Bope, em Cuiabá. Porém, se ausentou especificamente para participar da etapa de mergulho e atuar diretamente com Abinoão. Trechos dos depoimentos colhidos no inquérito dão conta de que tenente Evane chamou várias vezes pelo soldado, cujo número era catorze no grupo (ver quadro). A delegada assegurou que tenente Evane, instrutor do dia 22 de abril, teve atrito com o soldado de Alagoas e, por conta própria, acabou participando da etapa do dia 24. Foi aí que começou a perseguição da vítima. Os dois oficiais indiciados pelo crime acabaram alterando o cronograma com exercícios que não estavam previstos. Tudo com o intuito de sacrificar Abinoão, que era sempre o destaque entre os colegas participantes, como bem frisou no inquérito a delegada. Os depoimentos confirmam que, entre quinta-feira (22) e sábado (24), uma série de acontecimentos envolvendo o militar alagoano e os dois oficiais que participaram como instrutores culminaram no assassinato (ver quadro). Acrescentou que o laudo de necropsia apresenta sinais de lesão no rosto e no tórax da vítima, característicos de quem foi levado à força até o fundo de um rio ou lagoa. Em seus depoimentos, os militares, no entanto, negaram qualquer alteração no programa, informando que seguiram o cronograma e nada de anormal foi realizado.