No documento que pede a prisão preventiva dos acusados, o Ministério Público Federal deixa transparecer que o grupo de Vila Rica usa de métodos violentos para manter as ações de desmate. No texto, os procuradores da República Mário Lucio Avelar e Léa Batista de Oliveira se mostram temerosos com a escalada da violência, o que, na opinião deles, coloca em risco a ordem pública e tumultua o processo. Aliás, as últimas ocorrências demonstram que as ações violentas são crescentes, escreveram. Segundo o documento do Ministério Público, as ameaças contra a vida de terceiros não se limitam à retórica. A ação do MP cita o assassinato de Alberto César Trindade Campos, conhecido como Jamaica, em 15 de junho deste ano. Segundo os procuradores, o assassinato ocorreu apenas um mês após o agrimensor Pedro Nuno Gil Pequito, de quem Jamaica era auxiliar de topografia, prestar um contundente depoimento à Polícia Federal. Pequito relatou à PF que Jamaica havia sido ameaçado de morte por Ailton de Paula Souza, uma das pessoas presas ontem. Esta, aliás, não foi a primeira vez que alguém relatou ameaças de morte feitas por Souza. Em março de 2006, o oficial de Justiça Vanderley Matte relatou, em documento, que fora ameaçado quando tentava notificá-lo. Segundo consta em uma certidão enviada ao juiz Gleidson Oliveira Barbosa, Souza se recusou a receber a intimação e ainda fez ameaças. Disse, segundo Matte, que o juiz era louco e que se insistisse em dar a liminar em favor dos donos da fazenda Califórnia seria morto. (AC)