Um lance de R$ 25 milhões pode redefinir o futuro da Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá.
O Governo de Mato Grosso anunciou que apresentará essa proposta para adquirir em definitivo o prédio histórico da unidade, encerrando meses de indefinição e afastando, ao menos por ora, o risco de fechamento do hospital.
O valor foi confirmado pelo secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo (União), que argumentou que as propostas privadas encaminhadas à Justiça do Trabalho não atenderam aos interesses dos credores.
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Segundo ele, ofertas anteriores apresentavam valores inferiores à avaliação do imóvel, além de prever carência prolongada e parcelamentos extensos, sem garantias claras de continuidade operacional.
Disse ainda que, somando os recursos já transferidos pelo Estado ao longo dos últimos anos, o montante destinado à amortização das dívidas poderá chegar a quase R$ 60 milhões.
A Santa Casa acumula mais de R$ 78 milhões em débitos trabalhistas e chegou a ter o leilão do prédio autorizado pela Justiça do Trabalho, como forma de quitar parte das obrigações.
Duas propostas privadas foram formalizadas no processo: uma do Instituto Evangelístico São Marcos, no valor de R$ 40 milhões, com 12 meses de carência e pagamento parcelado; e outra do Instituto São Lucas, de R$ 20 milhões, sendo R$ 15 milhões à vista e o restante dividido em seis parcelas.
Ambas ainda dependem de deliberação judicial.
RECONFIGURAÇÃO - Com a entrada oficial do Estado na disputa, o governador Mauro Mendes (União) mudou a estratégia inicialmente traçada para a unidade.
Desde a inauguração do Hospital Central, no fim do ano passado, o plano era transferir gradualmente os serviços e desativar o prédio centenário.
No entanto, especialidades como oncologia e hemodiálise infantil não foram totalmente absorvidas pela nova estrutura.
Diante disso, o Governo decidiu não apenas manter o hospital em funcionamento, mas reconfigurar sua atuação.
A proposta prevê a ampliação da oncologia e da nefrologia e a implantação de novos serviços estratégicos.
Entre as principais mudanças, está a criação de 70 leitos voltados ao atendimento de homecare e desospitalização.
Embora o serviço não esteja formalmente previsto na tabela do SUS, ele vem sendo executado em larga escala, por força de decisões judiciais.
Atualmente, segundo o Executivo, o Estado desembolsa cerca de R$ 300 milhões para custear pacientes atendidos em domicílio por determinação da Justiça.
Também serão implantados 40 leitos para cuidados paliativos, com equipe multidisciplinar especializada no acompanhamento de pacientes com doenças crônicas e degenerativas, priorizando o controle da dor e a qualidade de vida.
A Santa Casa deverá sediar ainda uma Central de Diagnóstico, reunindo exames de imagem, ultrassonografia, endoscopia e emissão de laudos para atender todos os hospitais estaduais, além da criação de um hospital-dia com 35 leitos para internações de curta permanência.
Desse total, 10 leitos serão destinados a pequenas cirurgias gerais, além da implantação de uma central de infusão.
Outra mudança prevista é a transferência do Serviço de Verificação de Óbitos (SVO), atualmente instalado no Hospital Universitário Júlio Müller, para o prédio da Santa Casa.
Com mais de 200 anos de história, a Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá é considerada um símbolo da rede hospitalar da capital.
A formalização da proposta estadual e a decisão da Justiça do Trabalho serão decisivas para consolidar a permanência da unidade sob gestão definitiva do Estado e para dar início à nova fase anunciada pelo Governo.




