Gestor de Curitiba destaca as vantagens e implicações
Cuiabá não teria opção a não ser priorizar o transporte público, segundo o gestor de Operação do Transporte Coletivo Municipal de Curitiba, Luiz Filla. Ele defende que a cidade pode sim ter sucesso na implantação do BRT, mas terá de aceitar que o sistema é mais do que a estrutura do empreendimento. O BRT não é uma simples troca de ônibus, enfatiza, referindo-se ao conceito inovador implantado na capital paranaense por Jaime Lerner. O raciocínio é que a cidade precisa decidir se lançará mão de desapropriações e se os motoristas terão de sacrificar algumas faixas de rolamento em prol da agilidade de um transporte público que efetivamente atrairá o usuário. Após ter assumido este projeto, Curitiba construiu seu sistema de BRT re-aproveitando cerca de 90% das vias já existentes na cidade. Hoje os engarrafamentos acometem apenas os veículos comuns e quem está dentro dos ônibus pensa: Eu não gostaria de estar ali, brinca Filla. Sobre a possibilidade de execução do projeto de BRT na capital mato-grossense, o gestor afirma não conhecer a estrutura de Cuiabá, mas pondera as preocupações a respeito citando que, em Curitiba, é lógico que o BRT não é 100% em todos os trechos. Além disso, destaca que o projeto se baseia num zoneamento da cidade, considerando para onde ela cresce e amenizando os pontos críticos com intervenções contínuas. Ou seja, em Cuiabá, não poderemos nos limitar aos dois eixos anunciados para a Copa. Curitiba, por exemplo, desde 1974 não parou de criar novos corredores e acabou de inaugurar um novo mês passado. Tais alterações no sistema viário têm de obedecer a certas diretrizes que fazem parte do conceito de BRT, entre elas a gestão integral e em tempo real da frota, informação ao usuário sobre horários e rotas, disponibilidade de veículos com múltiplas portas e acessibilidade, pagamento e controle de passagens fora dos veículos, integração com outras malhas de transporte e a disposição de terminais exclusivos. (RD)