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Cuiabá MT, Quinta-feira, 11 de Junho de 2026

CIDADES
Sábado, 01 de Agosto de 2009, 14h:19

MARCELÂNDIA II

Foco da operação agora é investigativo

Arco de Fogo, ação da PF, Ibama e Força Nacional de Segurança, tem vigência indeterminada e é a responsável por oprimir crimes contra a mata amazônica

KEITY ROMA
Enviada Especial
Em um ano e sete meses de Operação Arco de Fogo na Floresta Amazônica, a Polícia Federal e o Ibama começam a mudar a forma de combate aos crimes de desmatamento. O foco nas fiscalizações em pátios de madeireiras e nas rodovias está cedendo lugar ao trabalho investigativo, para chegar ao maior beneficiário do esquema criminoso: o grande empresário que recebe a matéria-prima. “Quando a operação Arco de Fogo começou, a Polícia Federal estava engatinhando no combate aos crimes ambientais. Ainda também tivemos que lidar com a nova estrutura de três instituições (PF, Ibama e Força Nacional de Segurança) trabalhando em conjunto. Hoje, temos um conhecimento muito maior e queremos acabar com o foco do crime de desmatamento”, disse o coordenador em Mato Grosso da Operação Arco de Fogo, delegado federal Glauco Saraiva. Com base em Sinop e em Juína, a PF tenta também descapitalizar os trabalhadores que atuam diretamente na extração ilegal de madeira com a apreensão dos veículos e equipamentos utilizados para o trabalho. Durante a ação federal já foram apreendidos 146 veículos e 17 motosserras. Somente no pátio do Fórum de Marcelândia existem 16 caminhões apreendidos e seis tratores, desde maio, a maioria, de apreensões reincidentes. Os caminhoneiros acabam sem ter como exercer as atividades. “Agora, queremos chegar aos financiadores dos crimes”. Três equipes formadas por cerca de 30 pessoas cada estão espalhadas pela região da floresta em Mato Grosso. Agora, elas seguem o rastro do desmatamento via satélite e é para lá que os grupos de policiais e fiscais são enviados. Os criminosos ainda encontram maneiras de burlar a fiscalização, como, por exemplo, transportar as cargas à noite. Contudo, Glauco garante que o cerco está se fechando. “Os infratores são articulados e recebem muita informação. Porém, basta a pessoa se perguntar se ela quer ser presa. Porque nós não temos como estar em todos os lugares a todo momento, mas o trabalho é contínuo, e uma hora nós vamos estar aonde essa pessoa está. Aí, não vai ter saída”, fala. A Operação Arco de Fogo não tem previsão para ser concluída. “Enquanto houver crime na região, vamos atuar. Nossa intenção não é acabar com os segmentos que trabalham na floresta, mas propiciar uma exploração sustentável e dentro da lei”, diz o coordenador. A Arco de Fogo surgiu após a publicação da polêmica lista dos 36 maiores desmatadores da Amazônia, que, no início, incluía Mato Grosso, Pará e Rondônia. Atualizada e com o ingresso do Maranhão, a lista do Ministério do Meio Ambiente hoje reúne 43 municípios, sendo 20 de MT.

Edição EDIÇÃO 16959




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