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CIDADES
Quarta-feira, 29 de Junho de 2011, 21h:27

MINHA CASA, MINHA VIDA

Família perde programa por diferença de R$ 5 na renda

Somando o salário do marido assinado na Carteira de Trabalho mais horas extras a renda familiar da dona-de-casa Mayara de Souza Galeano, 21 anos, que vive na Lagoa do Jacaré, região do Grande Cristo, em Várzea Grande, chega a R$ 1.400 mensais. Por causa R$ 5 ela foi recusada na chamada primeira faixa do Programa Minha Casa Minha Vida, do governo federal. “Eu fui sorteada, fui conhecer a casa e, na hora de assinar o documento, a Caixa não liberou”, disse Mayara de Souza. Ela explica que a Caixa queria enquadrá-la em outra proposta do programa. Porém, para a família, seria financeiramente inviável. “Eles queriam fazer a minha inscrição para um condomínio, mas ficaria muito difícil. Eu tenho três filhos, todos pequenos e teríamos que pagar a prestação, além de água, luz e a taxa do condomínio”, lamentou. Segundo ela, a prestação da casa saltaria de R$ 70 para R$ 270 mensais. Há duas semanas, quando o governo federal lançou a segunda fase do programa, a primeira faixa beneficiava famílias com renda mensal (formal e informal) de até 1.395. Agora, o programa Minha Casa, Minha Vida 2, pretende financiar dois milhões de moradias para a população de baixa renda. Ao todo, 60% dos contratos serão para famílias com renda mensal de até R$ 1,6 mil na área urbana e de R$ 15 mil por ano na área rural. “Essa nova regra só vale para empreendimentos novos”, informou o secretário de Habitação de Várzea Grande, Aparecido Reginaldo Rodrigues. Segundo ele, na cidade há mais de três mil famílias residindo em área de risco ou em condições de vulnerabilidade. “Mais de 80% têm renda familiar acima de R$ 1.600. Hoje, um pedreiro consegue ganhar R$ 2 mil por mês”, completou. Em Várzea Grande, um acordo entre a administração municipal e a Caixa é para que parte dos imóveis do “Minha Casa, Minha Vida” seja destinada às famílias em área de risco. Situação em que se encontra 235 moradores da Lagoa do Jacaré, de outros que residem em áreas impróprias localizadas no Pirineu, Hélio Ponce, Jardim Glória, Figueirinha, Mappim, Vila Arthur, Lagoa da FEB, entre outros. “A renda é o fator prioritário, não o social”, disse Rodrigues. Ele reconheceu que as regras são estabelecidas pelo governo federal. Porém, disse acreditar que o benefício devesse contemplar essas famílias que precisam. “As chuvas vão recomeçar e elas vão ser novamente atingidas”, argumentou. A Caixa Econômica foi procurada pela reportagem, mas não retornou o contato. (JD)

Edição EDIÇÃO 16961




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