CIDADES
Terça-feira, 28 de Junho de 2011, 21h:25
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PRIVATIZAÇÃO
Família opta por alugar casa na beira
Para não pagar por espaço em tablado, isca, porção de peixe frito e garantir tradição da pesca por diversão, família Lima decidiu manter casa
ALECY ALVES
Da Reportagem
Para fugir dos altos preços da privatização do rio Cuiabá, com aluguel de tablados e espaço no barranco para pescaria na região de Santo Antônio de Leverger (30 quilômetros de Cuiabá), uma família cuiabana optou pela locação de uma casa por tempo indeterminado, à margem do rio. Francisco e Márcio Lima, moradores do bairro Dom Aquino, na capital mato-grossense, estão entre aqueles que não pensam duas vezes para aceitar um convite ou mesmo organizar uma boa pescaria com parentes e amigos. O problema é que, segundo eles, o lazer que mais apreciam estava saindo muito caro. Certa vez, durante uma passagem pela comunidade ribeirinha Barranco Alto, vislumbraram a possibilidade de alugar uma casa no lugarejo. Assim, poderiam pescar todo final de semana, feriado, férias e ainda reunir os irmãos, irmãs, sobrinhos e amigos. Poucos dias depois, lá estavam eles, realizando o que antes parecia um sonho distante. Francisco, Márcio e outros três irmãos alugaram a casa de um ribeirinho que já dispõe de outro imóvel na comunidade. Pagando R$ 400 ao mês, há três meses se instalaram no local com o direito de pescar a qualquer momento, de dia ou à noite, sem qualquer taxa adicional. O rio, razão do investimento, fica a menos de 200 metros. A casa é simples, mas dispõe da infraestrutura necessária para receber a família Lima. São sala, cozinha, dois quartos, dois banheiros, um interno e outro externo, além de fogão à lenha no quintal. A área de camping, o quintal, tem capacidade para acomodar dezenas de barracas e redes. É no quintal, sob árvores frondosas, explicou Francisco, que a família e os amigos passam a maior parte do tempo. Depois de pescar, observa ele, saboreiam o peixe fresquinho, frito, assado ou ao molho, regado a uma boa cerveja. Pagávamos R$ 100 pelo aluguel do tablado, R$ 70 pela isca, R$ 40 a R$ 50 por uma porção de peixe e por aí afora, completou. Quando a equipe do Diário esteve na casa dos Lima, não passava das 10h30 e o almoço já estava pronto sobre o fogão à lenha. No cardápio, feijão preto, farofa, cozidão de costela com mandioca, cenoura, batata, banana da terra e outras verduras, além de peixe frito. Márcio Lima lembrou que em um único final de semana a pescaria de dois ou três irmãos acabava saindo mais cara do que o aluguel da casa. Além da compensação financeira, disse, não correm risco de sofrer e causar acidente ou ser punido por voltar da pescaria dirigindo depois de ingerir bebida alcoólica. Tão cedo os Limas não pretendem mudar de vida.