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CIDADES
Segunda-feira, 25 de Junho de 2012, 21h:37

ALTO CUSTO

Falta de medicamentos ainda persiste

Diabéticos que fazem uso de insulina de efeito ultra-rápido só receberam, neste ano, o suficiente para dois meses de tratamento

ALECY ALVES
Da Reportagem
Mais uma vez, usuários dos serviços da saúde pública reclamam da falta de medicamentos na farmácia de alto custo. Como são remédios caros e de uso contínuo, essa falta pode representar perigo de morte ou de agravamento da doença. No caso da servidora pública estadual Eliany Corte, a irregularidade no fornecimento da insulina Aprida (de efeito ultra-rápido, usada antes das refeições) resultou em complicações seguidas da necessidade de internação hospitalar. Eliany, que acabou de receber alta do hospital, depois de 6 dias de internação, conta que teve uma crise dolorosa, chamada de neuropatia diabética, que não cessava com nenhum tipo de analgésico via oral. Ela teve de ser internada e, mesmo recebendo medicação injetável e oral, passou dias em sofrimento. A paciente conta que desde o início deste ano vem ocorrendo irregularidades no fornecimento da medicação. Na verdade, reclama, nesses seis meses de 2012 conseguiu retirar insulina suficiente para apenas dois meses. Sem a Aprida, diz, ocorre uma descompensação nos níveis de glicose no organismo, o que pode desencadear uma série de outros problemas, inclusive o comprometimento de órgãos vitais como os rins. Além disso, pode ocasionar danos à visão, uma das doenças decorrentes do diabetes. Eliany Corte, que continua em essa insulina, está preocupada com os ricos de elevação dos níveis de glicose, de novas crises dolorosas ou de ocorrências ainda mais graves. Ela diz que não tem condições financeiras para comprar o produto na quantidade necessária, especialmente porque um frasco com apenas 10ml não sai por menos de R$ 90. Assim como Eliany, a dona de casa Maria Conceição Pereira da Silva reclama da falta de medicação. Ela, que acompanha o tratamento do marido Luiz Paulo Silva, considera inaceitável o que avalia como “mendigar”. “A gente vem aqui uma, duas, três ou mais vezes até desistir. Vejo isso como um descaso, falta de respeito com o usuário do SUS, parece que a gente está mendigando por algo que temos direito, está assegurado em lei e com recursos públicos”, protesta. A Secretaria Estadual de Saúde (SES) informou, por meio da assessoria de imprensa, que realmente está faltando a insulina Aprida na farmácia de alto custo. Conforme a SES, o fornecedor do produto deveria ter entregado na sexta-feira passada a segunda remessa do medicamento, suficiente para atender os pacientes pelos próximos três meses. A SES, observa a assessoria, notificou a empresa e em resposta recebeu a garantia de que a entrega será feita na quinta ou, o mais tarde, nessa sexta-feira.

Edição EDIÇÃO 16961




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