Pelo menos cinco viaturas e a equipe da Coordenadoria de Operações de Patrulhamento Aéreo (Ciopaer) da Polícia Militar foram mobilizadas ontem pela manhã, em Cuiabá, para atender denúncia de um seqüestro. Mas, ao chegar ao local, a polícia descobriu que se tratava de uma falsa ocorrência, o chamado trote. De acordo com o comandante do Ciopaer, major Hewerton Mourett, a denúncia foi feita ao Centro Integrado de Operações em Segurança Pública (Ciops). A informação era de que uma pessoa tinha sido vítima de um sequestro em apartamento, no bairro Bosque da Saúde. O sequestro estaria em pleno andamento. Mas quando as viaturas chegaram verificou-se que o fato não era verídico. Era trote. Conforme Mourett, do local do deslocamento da aeronave até o Bosque da Saúde levou-se cerca de meia hora, num prejuízo de dinheiro público calculado em R$ 2 mil. Isso sem falar no desgaste da equipe. Gera um certo estresse. O Ciopaer é pego por duas ou três ocorrências falsas como essa por mês. A maioria é em Cuiabá. Já tivemos situações de roubo a banco, de veículo roubado e com sequestrado a bordo, mas que não se confirmaram. Em 2008, o Ciops registrou cerca de 240 mil trotes entre as ligações feitas aos serviços de emergência da Polícia Militar (190), Corpo de Bombeiros (193) e Polícia Judiciária Civil (197). O volume corresponde a quase 20% do total de 1,3 milhão de chamadas. A maioria das ocorrências falsas é feita por crianças e adolescentes, principalmente, no horário de saída das escolas. As ligações recebidas pelo Ciosp são rastreadas e gravadas. Além de um desserviço público, o trote é enquadrado como crime, tipificado no Código Penal (CP). O artigo 266 do CP prevê pena de detenção de um a três anos e multa.