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CIDADES
Terça-feira, 23 de Junho de 2009, 21h:51

NÍVEL SUPERIOR

Faculdade Católica vai fechar as portas

Anúncio foi recebido com protesto pelos cerca de 140 alunos da instituição, que reagiram ‘fechando’ funcionários dentro do prédio na 2ª-feira

JOANICE DE DEUS e RENÊ DIÓZ
Da Reportagem
O anúncio de fechamento da Faculdade Católica Dom Aquino, instituição dirigida pela ordem religiosa Salesiana em Cuiabá, pegou de surpresa e revoltou os acadêmicos da instituição. Inconformados, eles protestaram e bloquearam a saída dos funcionários na noite da última segunda-feira, quando foram comunicados sobre a decisão. A Polícia Militar chegou a ser acionada para conter os ânimos. A Faculdade Dom Aquino funciona nas instalações do Colégio Salesiano Santo Antônio, no bairro Coxipó. Criada há 3 anos, a unidade, que estaria enfrentando problemas financeiros, conta com cerca de 140 estudantes e oferece dois cursos, de Administração e Sistema de Informática. Anteontem, não houve aula. “Estamos na semana de provas e a situação é bastante complicada”, disse Marcelo Coronel de Souza, estudante do 7º semestre de Administração. “Para a gente foi algo inesperado, pelo fato de a faculdade ainda estar em fase de implantação”, argumentou. Conforme Marcelo, apesar de a direção da escola ter se comprometido em dar toda a assistência aos alunos, o futuro de todos é bastante incerto. “Eles nos garantiram que vão dar todo o aporte financeiro e transferência para outras universidades com a mesma grade curricular. Ou até mesmo conclua na própria faculdade. Mas, ficaram de nos dar um posicionamento final, de acordo com cada situação, no dia 10 de julho”, comentou. Marcelo lembrou ainda que, como é beneficiário integral do Programa Universidade para Todos (Prouni), caso aconteça o encerramento das aulas, terá que ser transferido para uma faculdade que também conceda a bolsa. Em um e-mail enviado à redação do Diário, uma estudante, que preferiu não se identificar por temer perseguição, afirma que tanto ela quanto os seus colegas não concordam com a transferência, já que investiram dinheiro em mensalidades, livros e outras despesas “acreditando que a faculdade ligada aos salesianos fosse séria”. “O que o diretor não informa é como ele pretende indenizar aqueles alunos que têm bolsa e em outra universidade não terá. A grande maioria são (sic) trabalhadores e dependem das bolsas e descontos que hoje possuem”, questionou a estudante. Outra preocupação é em relação ao conteúdo. “Como as disciplinas nas universidades não são iguais, os alunos terão que fazer adaptação e quem vai pagar os custos dessas matérias?”, argumentou. Outro estudante observou que apesar da direção garantir que o fechamento será de forma gradativa, os acadêmicos, especialmente os que estão concluindo, têm todo um planejamento que será prejudicado. “Quanto tempo vamos ainda demorar para formar, pois tem alunos finalizando o curso já com projetos de vida profissional em empresas esperando somente o diploma. Quem vai indenizar esse atraso e prejuízo?”, indagou. FALÊNCIA - Para o padre diretor da instituição, Osvaldo dos Santos, a confusão estabelecida na noite de segunda-feira na faculdade foi fruto da falta de tempo dos estudantes de “digerir” o anúncio do fechamento. “Os alunos se precipitaram e não tiveram oportunidade de entender o processo”, aponta o diretor. Ele explicou que um dos fatores que levaram ao fechamento da Faculdade Católica foi a baixa demanda no último processo seletivo. Ao todo, foram apenas nove alunos matriculados para o curso de Administração e sete, para Sistemas de Informação – a demanda não atingiu nem 50% do número de vagas para cada turma, composta de 20 alunos. A instituição também vem enfrentando problemas financeiros, inclusive devido à inadimplência de 40% a 50% dos alunos. “Geralmente uma empresa abre e fica dois anos no mercado se testando. Nós aqui passamos quatro anos no vermelho”, comparou padre Osvaldo. O religioso apontou que a localização isolada da faculdade também levou à falta de procura, embora tenha havido propaganda da instituição na mídia. Isso contrariou os planos da Missão Salesiana, que mantém faculdades bem-sucedidas em outros estados e pretendia construir uma grande infra-estrutura no local.

Edição EDIÇÃO 16964




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