NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Sexta-feira, 12 de Junho de 2026

CIDADES
Domingo, 13 de Março de 2022, 09h:32

MÊS DAS MULHERES

Ex-secretária realiza sonho como motorista na coleta de lixo

"O que faço é essencial à saúde, sem esse serviço a cidade vira um caos, diz Jô

ALECY ALVES
Da Reportagem
Reprodução
Jô: "A mulher pode ser e estar onde quiser, e não precisa provar nada a ninguém"

Todos os dias, de segunda a sábado, Jocilene Alves Gomes, 37 anos, pode ser vista pelas ruas de Cuiabá ao volante do caminhão da coleta de lixo.

De batom nos lábios, cabelo preso ao alto com cachos louros formando uma auréola, Jô desperta não só olhares curiosos.

Além de sentir olhos voltados em sua direção, a motorista ouve questionamentos, muitos deles acompanhados de sentenças que em nada a agradam.

Leia também:

Sindicato quer investigação e anulação do edital de licitação do BRT

O que uma mulher faz dirigindo o caminhão do lixo?

Por que aceitou fazer esse serviço?

Essa não deveria ser tarefa de mulher.

Ela também é bastante paquerada, recebe cantadas, das quais, diz, se desvencilha as tomando como brincadeira.

Alheia ao machismo e opiniões preconceituosas, Jô segue feliz em seu trabalho.

Reprodução

Secretária - motorista

Jocilene Alves é formada em secretariado pela antiga Escola Técnica Federal

Feliz, especialmente por realizar um sonho de infância.

Jocilene Alves é formada em secretariado pela antiga Escola Técnica Federal, hoje Cefet (Centro Federal de Educação Tecnológica).

Ela atuou em sua área de formação como secretária em consultórios médicos e odontológicos, escritórios, entre outros.

"Eu não era feliz, trabalhava por necessidade e me sentia no lugar errado", justifica-se.

No período como secretária, entre os 20 e 27 anos, já era casada e tinha uma filha, hoje com 21 anos.

Ela também já estava habilitada para dirigir, mas com CNH para conduzir veículos de passeio.

"Um dia, eu disse ao meu pai: quero trocar minha carteira, fazer a profissional para dirigir caminhão", contou.

Com o apoio dele, não só se habilitou, como chegou ao primeiro emprego

.Seu sonho de dirigir caminhão estava silenciado desde a infância, da época das viagens que fazia com o pai durante as férias escolares.

O pai, Isacael, era motorista de carretas.Jô começou na profissão em uma construtora, levando paredes pré-moldadas. T

ambém dirigiu um caminhão caçamba transportando aterro.

"Fiquei tão feliz pelo primeiro emprego, que nem pensei no salário", disse.

Entretanto, essa alegria só veio concretizar o sonho. Antes, segundo ela, manobrar um caminhão lhe parecia uma operação impossível.

"Não vou dar conta", era o que Jó pensava.

Hoje, após 10 anos como motorista de caminhão, oito deles na coleta de lixo, ela não duvida de sua capacidade.

"A mulher pode ser e estar onde quiser, e não precisa provar nada a ninguém", assinala.

Além de gostar do que faz, ela sabe que seu trabalho é essencial.

"Sem esse serviço, as doenças se proliferam e a cidade vira um caos", compleoua.

Ao volante do caminhão da coleta, ela também encontrou um novo amor.

Conheceu o marido. Roney, outro motorista da coleta, com quem Jô está casada. 


Edição EDIÇÃO 16961




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL