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Cuiabá MT, Terça-feira, 23 de Junho de 2026

CIDADES
Sábado, 08 de Outubro de 2011, 13h:18

SAÚDE DO CUIABANO

Estudo revela avanço da hipertensão

Pesquisador da UFMT constatou que 58,5% dos cuiabanos analisados no intervalo de 7 anos desenvolveram doença. Primeira medida é mudar hábitos

PRISCILA KERCHE
Especial para o Diário
A evolução da hipertensão entre cuiabanos é alvo de um estudo da Universidade Federal de Mato Grosso que revelou que 58,5% dos adultos acompanhados na pesquisa durante 7 anos tornaram-se hipertensos. A partir do levantamento, o pesquisador Fábio Liberali Weissheimer, do Instituto de Saúde Coletiva da UFMT, adotou a indicação de que o próprio paciente deve criar consciência de que precisa mudar o estilo de vida para melhorar a saúde. Isso, como primeira medida para tratar o mal. A partir da modificação dos hábitos, se após o período de seis meses a pressão arterial acima de “14 por 9” ainda for constatada, aí sim começa o tratamento com remédios, o que significa um controle rigoroso no tratamento. Os fatores decisivos para o desenvolvimento da doença foram faixa etária acima dos 40 anos, obesidade, consumo diário de café, sedentarismo (constatado pela permanência maior que quatro horas por dia em frente à televisão ou ao computador), tabagismo, estresse e renda inferior a dois salários mínimos. A idade, como a presença de hipertensos na família, não pode ser alterada. O fator socioeconômico é um agravante, por estar relacionado a outros problemas, como a falta de acesso ao tratamento de saúde, baixa escolaridade (falta de informação) e condições de vida, como alimentação, desfavoráveis. Mas os outros fatores dependem apenas do comportamento. Eles são reflexo do estilo de vida estressante e sedentário do mundo ocidental, unido ao alto consumo de sódio por produtos industrializados e pelo sal acrescentado na comida. ESTUDO - Os indivíduos pesquisados fizeram parte de um estudo anterior, realizado por Tatiane Cassanelli em 2005, também por meio da UFMT. A pesquisa de Cassanelli revelou, a partir da verificação da pressão arterial de 1.699 indivíduos, que 33,4% dos adultos cuiabanos são hipertensos. A média nacional é próxima, 32% dos brasileiros sofrem deste mal. Cento e setenta e uma pessoas que não apresentaram pressão alta no estudo de 2005 voltaram a ser contactados por Fábio posteriormente. Entre eles, 100 passaram a ser hipertensos. A constatação foi feita em 2010. A pesquisa cuiabana foi a única a ser feita em uma capital brasileira depois da realizada em Porto Alegre (RS), em 2008. As principais diferenças em relação aos gaúchos pesquisados é o fato de os cuiabanos serem mais obesos, mais sedentários e consumirem mais álcool. A miscigenação das raças na região é um fator peculiar que pode ser estudado. Outro desenvolvimento sugerido para a pesquisa é a atenção ao consumo do café. Estudo parecido feito em 2009 por Tânia do Rosário revelou que o consumo de pó de guaraná em Nobres, interior do Estado, causava hipertensão. A área de epidemiologia do Instituto de Saúde Coletiva da UFMT, sob orientação do doutor Luiz César Nazário Scala, continua pesquisando a particularidade da hipertensão em negros e em adolescentes.

Edição EDIÇÃO 16968




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