CIDADES
Quarta-feira, 07 de Abril de 2010, 22h:08
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LAZER MERECIDO
Entretenimento sem espaço adequado
ALECY ALVES
Da Reportagem
Cuiabá, embora já tenha superado 550 mil habitantes, figure entre as 10 capitais mais ricas do país (dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e tenha aberto alguns parques, praças e museus, nos quesitos cultura e lazer está atingindo os 291 anos sem grandes avanços. A cidade ainda carece de espaços e infra-estrutura apropriados para instituir em seu cotidiano shows, peças teatrais e outros eventos culturais comuns em centros habitacionais similares. Na área musical não existem ambientes, fechados ou abertos, dotados das condições necessárias. O mesmo acontece com as casas teatrais. Os três anfiteatros em funcionamento (UFMT, Cine Teatro e IF - antiga ETF), além de apresentar problemas estruturais não comportam grandes peças. Essa é a análise de dois importantes produtores culturais cuiabanos: Mário Zeferino, o empresário que há 18 anos promove shows, e Viviene Lozi, empresária e diretora-geral da Associação dos Produtores Culturais de Mato Grosso. Aqui, a falta de espaços inverte a ordem da programação dos eventos, segundo Mário Zeferido. Enquanto em outras capitais os shows são marcados seguindo a agenda do artista, em Cuiabá é preciso se certificar de que o local não está ocupado por festas de formatura, casamento, feiras e congressos. Para os grandes shows, aqueles que levam 20 mil ou mais pessoas a cidade, as únicas opções são os estacionamentos de duas universidades particulares, uma em Cuiabá e outra em Várzea Grande. Esses locais, observou o produtor, demandam mais gastos em infra-estrutura a ainda há riscos de cancelamento por causa da chuva. Temos público, mas faltam espaços para os eventos, lamentou. Zeferido reforçou sua visão contando que recentemente, quando discutia a possibilidade de trazer o musical infantil A Bela e a Fera, produzido no Brasil nos moldes da Broadway, descobriu que nenhum ambiente da cidade comportaria a megaprodução. Metade do maior espaço que temos, o pavilhão do Centro de Eventos Pantanal, seria ocupado pelo palco do próprio espetáculo, disse. Zeferido contou que nos seus quase 20 anos de atuação deixou de trazer para Cuiabá muitos outros shows que grande parte da população gostaria de assistir. Na avaliação de Viviene Lozi, em Cuiabá, mesmo com o surgimento de opções de cultura e lazer como o Museu do Morro da Caixa DÁgua Velha, a revitalização do Cine Teatro Cuiabá, o parque Lagoa Encantada (CPA III), Sesc Arsenal, Parque Mãe Bonifácia, entre outros parques, a oferta continua menor do que a demanda. Cuiabá poderia ter avançado muito mais em política cultural, disparou Viviene. Para ela, enquanto os gestores não enxergarem cultura, lazer e turismo como veem saúde, educação, social e segurança, o quadro será o que se tem hoje. Não dá para desassociar cultura do desenvolvimento humano, completou. Com formação em Letras e especialização em Planejamento e Gestão Cultural, Vivene lembrou que tanto em nível estadual como municipal, a cidade nunca dispôs, pelo menos que se seja de conhecimento público, de programas de revitalização, conservação, divulgação e econômico próprios para promoção da cultura. A produtora vê com reservas a propagação da Copa de 2014, como possibilidade de desenvolvimento e promoção da cultura. A Copa somente trará mudanças se o quadro da Agecopa (qgência que gerencia questões relacionas aos projetos e eventos do Mundial) dispor de um gestor cultural. Terá de ser alguém como experiência e competência, não apenas por indicação, disse.