CIDADES
Sábado, 20 de Agosto de 2011, 12h:55
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Empresa própria está nos planos
Na cadeia, Cristina Isabel Pereira, condenada por tráfico, apreendeu cursos que jamais deu valor enquanto estava em liberdade, como fazer tricô, bordar e pintar tecido. Também apreendeu a administrar suas próprias finanças. Ela, que diz ter ganho facilmente, e gastado com a mesma facilidade, valores consideráveis (sem revelar quantia) fazendo tráfico com o namorado, valoriza cada centavo do salário mínimo (R$ 545) que recebe como funcionária da fundação. No emprego há um ano, Cristina fez uma poupança, onde guarda dois terço do salário para investir em sua própria empresa quando deixar a cadeia, e com o outro terço, fez economias e pagou um tratamento dentário que custou R$ 1,2 mil e lhe trouxe um novo sorriso, capaz de arrancar elogios da filha, do irmão e de muitos colegas na cadeia e da Fundação Nova Chance para onde tem única autorização para deixar o presídio. Mesmo ganhando dinheiro lá fora, nem dos dentes eu cuidava, alguns perdi totalmente, tive de fazer próteses, outros recuperei parcialmente, aproveitando a raiz para fazer o pivô, diz. Nesta semana, quando acontece a programação da 5ª Semana de Ressocialização, um movimento nacional que traz a público o debate sobre o retorno de presos ao convívio social e a produção das cadeiras, Cristina assumiu um desafio. Junto com outros dois detentos, Renildo Aparecido Feliz (que cumpre pena no Presídio do Carumbé) e Ana Cristina Silva, ela começou um curso de cerimonialista, algo que jamais imaginou fazer na vida. Será dela e do colega Renildo, sob a coordenação do coronel bombeiro Paulo Wolkmer, militar com mais de 25 anos de experiência em fazer cerimonial, a responsabilidade de fazer a abertura oficial do evento, que começa no dia 26, às 9 horas, no auditório do Fórum de Cuiabá. Ana Cristina estará na portaria para a recepção dos convidados. Ansiosa, Cristina não esconde o medo de falar em público, especialmente de ler roteiros de um evento que terá a presença de dezenas de autoridades do alto escalão do governo do Estado. Entretanto, o professor voluntário é só elogios para ela e o colega Renildo Feliz. (AA)