CIDADES
Quarta-feira, 05 de Outubro de 2011, 20h:49
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CHACINA
Dezoito réus, 1 condenado
Primeira parte do julgamento do crime conhecido até fora do país terminou com condenação de Valdemir Bueno, a 8 anos
ALECY ALVES
Da Reportagem
A primeira parte do julgamento de três dos 18 acusados pela chacina de Matupá, como ficou conhecido o linchamento de três assaltantes em praça pública, onde foram torturados e queimados vivos, terminou com duas absolvições e uma condenação. O crime aconteceu há quase 21 anos, no dia 23 de novembro de 1990, e teve como vítimas Ivacir Garcia dos Santos, 31, Arci Garcia dos Santos, 28, e Osvaldo José Bachinan, 32, acusados de assalto. Conforme apuração na época, os três roubaram um casa e, na fuga, fizeram uma família refém durante horas. A chacina, cujas imagens estão disponíveis na internet, foi notícia no Brasil e em outros países. Ao único condenado, o empresário Valdemir Pereira Bueno, a Justiça imputou uma pena de 8 anos de reclusão por homicídio e vilipêndio de cadáver, além de lhe conceder o direito de recorrer na sentença em liberdade. Na sessão do Tribunal do Júri, presidida pelo juiz Tiago Souza Nogueira de Abreu, Bueno declarou que quando despejou o produto sobre as vítimas, que não sabia se era álcool ou gasolina, acreditava que estavam mortas. Ele confessou ter se arrependido da participação no crime. Os outros dois, Santo Caione e Alcindo Mayer, foram absolvidos da acusação de homicídio qualificado. Os jurados entenderem que a conduta dele não ocasionou as mortes. Já em relação ao réu Alcindo Mayer, a absolvição foi baseada na declaração dele de que considerava que uma das vítimas que agrediu já estava morta. No caso de Santo Caone, que não tinha advogado para defendê-lo, o juiz Thiago Abreu determinou que o Estado pague R$ 5 mil a titulo de honorários ao advogado nomeado pela Justiça para fazer a defesa dele. Arlindo Capitani, que também está denunciado como réu, integrava a lista do julgamento de ontem, mas ele acabou não comparecendo ao Tribunal do Júri. Capitani deverá se sentar no banco dos réus em outra sessão. O julgamento, que durou quase 20 horas, mobilizou a cidade, levando dezenas de advogados, parentes dos réus e populares ao plenário. Os promotores de Justiça Washington Eduardo Borrére e Daniele Crêma da Rocha informaram que apelarão da sentença em busca da condenação dos réus absolvidos. Os 15 que faltam ser julgados são Luiz Alberto Donin, Elo Eidt, Mário Nicolau Schorr, Faustino da Silva Rossi, Elywd Pereira da Silva, Donizete Bento dos Santos, Gerson Luiz Turcatto, Paulo Cezar Turcatto, Mauro Pereira Bueno, Airton José de Andrade, José Antônio Correa, Antônio Pereira Sobrinho, Roberto Konrath e Enio Carlos Lacerda e Arlindo Capitani. Outras três sessões já foram agendas para submetê-los ao Conselho de Sentença Popular.