CIDADES
Sábado, 01 de Agosto de 2009, 14h:15
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Desemprego afeta todo comércio
O impacto direto do desemprego em Marcelândia afetou intensamente o comércio da cidade, reclamam os empresários. Cido Lavador, de 60 anos, como é conhecido Aparecido Lopes de Oliveira, relembra a fartura de outrora que lhe propiciou a compra de uma casa com apenas 30 dias de trabalho na década de 80 e, depois a formação da própria empresa. Hoje não é mais assim, está difícil. Marcelândia já foi o paraíso do dinheiro, todo mundo tinha. Agora, faço malabarismo para sobreviver. Cido chegou à cidade em 1982, atraído pela prosperidade da região, anunciada pelas rádios em Cascavel (PR). Em 30 dias, comprei uma casa. O pessoal andava com pacote de dinheiro na mão. Ele trabalhou com revenda de madeira e o dinheiro adquirido lhe permitiu abrir um negócio em 1988, um lava-jato, que hoje amarga a falta de clientes. Antes, lavava cerca de 15 carros por dia. Hoje, quando tem dois, é muito. Assim a gente vai vivendo, fala. Cido é apenas mais um dos comerciantes locais que enfrenta a crise. O mesmo acontece, em uma área bem menos nobre da cidade, a região industrial, à dona de um bar e bordel local, que se identifica apenas como Polaca, 37 anos. Mãe de cinco filhos e ex-mulher de garimpeiro, Polaca encontrou na próspera Marcelândia dos anos 90 a chance de garantir o sustento. Ali, ganhou um terreno e montou o estabelecimento. Diferentemente do passado, agora os dois quartos alugados por R$ 10 para garotas de programa, na maioria dos dias nem chegam a ser abertos. Falta homem. Durante uma hora, a reportagem esteve no local conversando com Polaca, mas nenhum cliente sequer passou na frente do estabelecimento. Tem dia que não entra ninguém nem para tomar uma cerveja. Ela conta que, há cerca de um ano, quando a cidade vivia repleta de peões, o movimento não faltava. Chegou a abrigar oito mulheres que ali se prostituíam. Hoje, quando muito, há uma. A crise afetou a todos, não há quem não fale nela. Até mesmo o dono de um dos melhores hotéis da cidade, que é colonizador do local, diz que ninguém ficou imune a ofensiva contra o desmatamento. A cidade vivia cheia de vendedores, tinha festas, era outra coisa. Comprei o hotel há 14 anos e construí 50 quartos. Viviam lotados, depois das operações, o movimento caiu 40%, avalia Valdemir Batista dos Santos, de 53 anos. (KR)