CIDADES
Segunda-feira, 30 de Março de 2009, 22h:14
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ABUSO SEXUAL
Denúncias devem aumentar
Acusação de estupro de menina Down se dá ante rumores de vários casos, abafados por medo e carência dos pais
O Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência (CMDPD) acredita que novas denúncias de violência sexual contra crianças portadoras de síndrome de Down surgirão com o início das investigações do caso de uma menina de 12 anos que teria sido abusada dentro da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae). O conselho posiciona que há rumores de outros fatos semelhantes, mas que as famílias têm medo de formalizar denúncia. A gente fica sabendo dos comentários de que aconteceu aqui e ali. O fato é que as famílias são muito humildes e têm receio de sofrer represálias e talvez por isso não denunciem, relata o presidente do CMDPD, Eron Alves. A auxiliar de serviços gerais Edna Francisca Oliveira, de 46 anos, enfrentou o temor de ficar desamparada pela Apae e procurou a delegacia para registrar boletim de ocorrência. A filha de Edna, de 12 anos, sofreu abuso sexual e a mãe acredita que a violência aconteceu dentro da Apae do Porto, em Cuiabá, onde a menina passava o dia. A principal suspeita até o momento é um funcionário administrativo da instituição. Há suspeitas que outra menina, colega da filha na Apae, tenha sido violentada. Quando ela me contou, citou muito o nome de outra coleguinha, menor que ela, que também estuda lá. Não sei se essa outra menina também foi vítima. Para evitar pressão sobre a filha dentro da unidade, Edna não levou a criança para a Apae ontem. L.F.O. passou o dia todo com a mãe no local de trabalho, uma delegacia de polícia, onde a mulher exerce no dia-a-dia atividades de limpeza. Sempre ensinei minha filha a falar se alguém a beliscou, porque, como tenho que trabalhar, não queria que ninguém judiasse dela. Quando percebi que ela estava chegando em casa com as partes íntimas machucadas, eu perguntava quem tinha mexido nela. Ela sempre falava o nome de uma pessoa. Depois que registrei o b.o, estão tentando confundir a cabeça dela na Apae, denuncia. A mulher disse que levará a filha consigo para trabalhar até que sejam tomadas medidas para apurar as responsabilidades da direção da Apae. Isso porque Edna tentou denunciar os fatos à entidade desde ano passado, mas teria sido ignorada. A titular da Delegacia de Defesa da Criança e Adolescente (Deddica), Mara Rúbia Carvalho, afirmou que pode indiciar os responsáveis pela Apae por crime de omissão. O funcionário da Apae apontado pela criança como autor do crime afirmou por meio de seu advogado, João Otoniel Matos, que se apresentará hoje para prestar depoimento na Deddica. Exaltada, a presidente da Apae em Mato Grosso, Alda Iglesias, disse por telefone que não comentaria o fato até que houvesse uma notificação oficial, ou que tivesse acesso ao boletim de ocorrência. Não fomos comunicados oficialmente. Ela desconversou logo após a reportagem frisar que a diretora da Apae, Silvia Artal, prestou depoimento à polícia na sexta-feira. Na Deddica, a diretora afirmou à delegada que o funcionário foi afastado no dia 20 de março, data que não coincide com a última denúncia da mãe, que no último boletim de ocorrência afirma que a criança foi estuprada também no dia 26, quando teria chegado em casa machucada e suja de esperma. A menor freqüenta a Apae desde 2003. Edna afirmou que percebeu que a filha vinha sofrendo abusos desde ano passado. Por volta de outubro a mãe foi até a Apae, que não teria tomado nenhuma providência. Com o retorno às aulas este ano e os evidentes sinais de abuso, a mãe registrou um b.o na Delegacia de Várzea Grande. A inércia da Apae diante do registro motivou outro b.o, no dia 26 de março, quando ela teria chegado em casa muito machucada. Estamos aguardando o resultado dos exames do IML, mas os médicos falaram que ela sofreu abuso. Quando registrei o boletim da primeira vez, ela estava machucada, era noite, tinha febre e chorava no canto da cama. Não sabia o que fazer e aquilo me doeu muito, desabafa a mãe.