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CIDADES
Quarta-feira, 04 de Março de 2009, 21h:18

EPIDEMIA

Dengue provoca 4 mortes

Casos mais recentes são de duas crianças em Rosário Oeste; 56 notificações do tipo grave da doença em todo o Estado

KEITY ROMA
Da Reportagem
Apenas nos primeiros dois meses do ano, Mato Grosso já tem registros de 56 casos graves de dengue no Estado, com 14 confirmações do tipo hemorrágico e 42 sob investigação, segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde (SES). Quatro pessoas estão internadas e outras quatro morreram com os sintomas em janeiro e fevereiro, sendo duas delas crianças residentes em Rosário Oeste, cidade que apresenta uma epidemia. Uma morreu no Carnaval e outra no sábado passado. Além de Rosário, também houve dois óbitos em Nova Nazaré e Tangará da Serra. Foram registradas 1.976 notificações de casos de dengue em geral este ano em todo o Estado, somando os casos de hemorrágica aos do tipo clássico da doença. O volume representa uma redução de 10,37% em relação ao mesmo período de 2008, quando houve 205 casos a mais. Rosário Oeste tem registros de 303 casos de dengue, sendo 4 graves. Em metade desse grupo, houve a evolução do quadro de saúde para a cura. O número em Rosário supera os registros de Cuiabá, que entre janeiro e fevereiro apresentou 184 pacientes com suspeita de dengue. Apesar de 26 suspeitas de dengue hemorrágica na Capital, não houve morte. “A grande preocupação em relação a Rosário Oeste é o fato de que lá há apenas 18 mil habitantes, enquanto em Cuiabá existem cerca de 600 mil moradores, o que revela um índice de contaminação alto”, explica a coordenadora do Programa Estadual da Dengue, Maria de Lourdes Girardi. Os registros mostram que nos anos anteriores a quantidade de pessoas infectadas na localidade foi muito baixa. Em Rosário Oeste apenas dois moradores pegaram a doença em 2008, mas devido às circunstâncias este ano, a SES já autorizou a aplicação de Fumacê. “Como o sorotipo ficou muito tempo sem circular por lá, se torna possível uma epidemia. E por isso os principais contaminados são as crianças”, diz. No Brasil existem três sorotipos da doença e a mesma pessoa não se contamina mais de uma vez por determinado sorotipo. Então, quando a população da cidade se renova, com pessoas que nunca foram contaminadas e não possuem resistência ao vírus, e o mosquito volta a circular, são grandes as possibilidades de haver um surto. “Estamos esperando os exames para saber que sorotipo circula lá agora”. Maria de Lourdes frisa que a população deve aumentar as precauções e ficar atenta, pois fevereiro e março são os meses mais críticos de pico da doença no Estado. “A população tem que eliminar os criadouros e o poder público dar assistência adequada”. Pequenos cuidados, como o diagnóstico preciso, poderiam ter salvado a vida de Pedro Belém, que faleceu subitamente no dia 24. Ele completaria sete anos esta semana. A mãe do menino, Tatiana Coelho Guimarães Belém, revolta-se ao lembrar que após o filho acordar com muita febre no 22, domingo de Carnaval, o levou ao hospital da cidade e a médica disse apenas para que ele tomasse antibiótico, pois estava com a garganta inflamada. “Não desconfiei de nada. No domingo à noite ele brincou, melhorou. Na segunda foi dormir com dor no estômago. Na terça, acordei com um grito de manhã e, quando cheguei no quarto dele, estava no chão e tinha batido a cabeça com uma convulsão. Estava todo branco e ficando roxo. Chegou ao hospital praticamente morto. Foi muito rápido”, relembra. Tatiana registrará um boletim de ocorrência para a apuração da suposta negligência médica no Hospital Amparo de Rosário Oeste, por onde passaram as duas crianças que morreram na cidade. “Foi uma morte súbita. Não deu para fazer nada”, rebate o diretor clínico da unidade, Everaldo Barreto.

Edição EDIÇÃO 16964




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