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CIDADES
Quarta-feira, 26 de Janeiro de 2011, 20h:48

ÁGUA BOA

Dejetos de presídio prejudicam aldeia

FRANCIS AMORIM
Da Sucursal de Barra do Garças
Os dejetos do esgoto do Presídio Major Zuzi, em Água Boa, 736 Km a leste de Cuiabá, está ameaçando a aldeia xavante Belém, na Terra Indígena Pimentel Barbosa. O alerta foi feito pela Vigilância Sanitária do município e pelo coordenador técnico da Fundação Nacional do Índio (Funai), Cipassé Xavante. O esgoto está sendo jogado de forma in natura numa vala nas imediações das nascentes do córrego Água Suja, afluente do rio das Mortes. O problema já é do conhecimento da Secretaria de Estado de Segurança Pública que, em 14 de dezembro do ano passado, enviou uma equipe do setor de engenharia para elaborar um plano de adequação técnica e financeira para solucionar o problema. Porém, o órgão solicitou um prazo de 60 dias à Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) para apresentar o projeto definitivo. O Presídio Major Zuzi possui uma estação de tratamento de esgoto integrada desde a sua inauguração, mas está desativada pela falta de manutenção. Durante esse período, algumas alterações foram feitas a pedido da Vigilância Sanitária, mas não resolveram os problemas que vem se agravando a cada dia. “O volume de esgoto lançado pode chegar a 51 metros cúbicos por dia. Hoje, com 400 detentos e cerca de 30 funcionários, o consumo médio de água por pessoa é de 150 litros/dia, dos quais 80% voltam ao meio ambiente como esgoto”, alertou a assessora técnica da Vigilância, Áurea Campos. A assessora também destacou que o sistema precisa de manutenção. “Qualquer sistema de tratamento, seja ele de água ou esgoto, deve possuir um monitoramento que deveria ser realizado por pessoas habilitadas, e não por detentos como sempre ocorreu, a menos que estes tivessem recebido o devido treinamento para tal atividade”, frisou, acrescentando que medidas precisam ser tomadas com urgência para evitar a contaminação do rio das Mortes e seus afluentes. O coordenador da Funai criticou a falta de planejamento na implantação da obra. “Desde o início, toda a população, tanto a indígena quanto a da cidade, sabia que esse presídio traria impactos ao meio ambiente e à nossa segurança. O problema é que esses impactos não foram levados em consideração quando ele foi construído, mesmo sabendo que teríamos 400 presidiários morando lá. Em qualquer construção a questão ambiental tem que ser levada em consideração”. “Este presídio foi construído próximo a TI Pimentel Barbosa, mesmo diante das preocupações da nossa população. Agora queremos saber, até quando isso vai continuar?”, indagou a liderança. (Com assessoria do Instituo Socioambiental)

Edição EDIÇÃO 16968




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