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CIDADES
Segunda-feira, 12 de Março de 2001, 20h:29

MORTES NO AEROPORTO

Defesa Civil aponta falhas em válvula como causa da explosão

O trabalho de investigação feito por Domingos Iglesias concluiu que o calor contribuiu com o início do incêndio

MÁRCIA OLIVEIRA
Da Reportagem
Um relatório elaborado pelo coordenador estadual da Defesa Civil, Domingos Iglesias, indica que uma falha no funcionamento da válvula de segurança do carro tanque da Santa Rita Distribuidora de Petróleo possibilitou a explosão que deixou dois mortos e cinco feridos no depósito da Petrobrás, distante 100 metros do Aeroporto Internacional Marechal Ro ndon. O acidente aconteceu pouco mais das 15h, do dia 20 de dezembro do ano passado, matando na hora o motorista do carro, Lenine Salies, e vinte dias depois o operador de bombas, Nelson Antônio Gomes. Segundo Iglesias, a probabilidade de sua hipótese ser verdadeira é de 99%. “Fizemos um trabalho de investigação colhendo dados com os representantes da empresa Santa Rita e verificando as condições atmosféricas ambientais do local, o que nos apontou os antecedentes da explosão”, disse o coordenador. No relatório Iglesias informa que o caminhão da Santa Rita entrou no pátio de manobras da Petrobrás às 15 horas para ser abastecido com querosene de aviação, e descreve como favoráveis para agregar calor, os materiais com os quis são construídos os objetos dispostos no pátio. “O pátio é de concreto e os tanques reservatórios são superficiais e feitos com chapas de aço. Expostos a incidência solar esses materiais conjugam um efeito somático de emanação de calor indutivo com o próprio caminhão. Com essas condições, estima-se que a temperatura num raio de 20 metros, tendo como centro o caminhão, estaria em torno de 41,4 graus centígrados”, diz trecho explicativo do relatório. No parágrafo seguinte, o coordenador informa que o ponto de “fulgor”, ou seja, de combustão do querosene de aviação é de 40 graus centígrados e concluí suas explicações dizendo: “pode-se evidentemente admitir a hipótese lógica de que o querosene evaporou ao entrar em contato com o calor interno encontrado no tanque do caminhão; deu início ao processo de combustão e como a válvula de segurança não funcionou, a pressão interna provocada pelo volume de gás causou a explosão”. O coordenador também informa que suas conclusões são reforçadas com o relatório feito pela equipe do Corpo de Bombeiros que trabalhou no combate ao fogo. “Após o domínio completo do incêndio no caminhão, o Corpo de Bombeiros relata que surgiu imediatamente novo incêndio provocado pelo derramamento de querosene no piso local, espalhando fogo para os três depósitos de combustível. Onde a temperatura deveria estar acima de 50 graus centígrados”, descreve Iglesias que ressalta: “Isso mostra que o calor do ambiente influenciou na queima e na explosão” conclui. Na confecção do documento o coordenador informa que tentou ouvir a Petrobrás/Rio de Janeiro, que ficou responsável à época pela emissão de um laudo sobre o acidente. Mas como resposta, a empresa teria dito que os documentos produzidos eram restritos e de controle interno.

Edição EDIÇÃO 16959




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