CIDADES
Quinta-feira, 12 de Maio de 2011, 21h:20
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SAÚDE CÓTICA
Decisão sobre greve geral em 1 semana
Enfermeiro e médicos anunciaram ontem que vão votar medida extrema para forçar poder público a tomar medidas efetivas para recuperar o setor
Enfermeiros e médicos da rede municipal de Saúde votarão, em uma semana, um indicativo de greve geral nos serviços em Cuiabá. A possibilidade da medida drástica foi anunciada ontem pelos presidentes dos sindicatos das duas categorias, que se veem sem alternativas para forçar o poder público a finalmente agir de maneira efetiva para acabar com o caos que impera no atendimento especialmente no desestruturado Pronto-Socorro de Cuiabá (PSC). Não suportamos mais essa situação, declarou o presidente do Sindicato dos Profissionais de Enfermagem (Sinpen), Dejamir Soares, a respeito da falta de condições mínimas de trabalho o que acaba forçando os profissionais da Saúde a terem de decidir quem salvar e quem deixar agonizando. Embora tenha visto uma pessoa morrer em sua frente durante a última greve da categoria, Soares mencionou a paralisação como um último recurso diante de tamanha ingerência na saúde pública em Cuiabá. Trabalho no PSC desde 96 e nada mudou. Este último recurso será votado na próxima quinta-feira, em assembleia conjunta do Sinpen e do Sindicato dos Médicos (Sindimed). O presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado, Paulo Paim, é convidado, assim como a Sociedade Brasileira de Terapia Intensiva. Soares não economizou palavras ao descrever o caos no PSC. Um dos alvos foi a demissão por parte da prefeitura de 175 servidores do PSC. Após as demissões, o prefeito Francisco Galindo chegou a dizer que quem ficou vai ter que dar conta do recado, mas Soares aponta que, com esta medida, a sociedade pode esperar o pior do atendimento: se antes um técnico de enfermagem atendia 10 pacientes, agora terá de atender 18 num ambiente superlotado, com 144 pacientes abrigados nos corredores e no chão, com índice de infecção cruzada gritante, sem ar-condicionado, sem manutenção de equipamentos e outros inúmeros fatores desfavoráveis. E mais demissões já foram anunciadas. Outra denúncia do Sinpen é o atraso de três meses por parte da prefeitura nos pagamentos aos hospitais particulares que prestam serviço ao SUS, como Só Trauma, Geral Universitário, Santa Casa de Misericórdia, Santa Helena, Bom Jesus, Ortopédico e o hospital da Polícia Militar. A verba do Ministério da Saúde destinada a esses pagamentos não estaria sendo devidamente encaminhada, o que o secretário municipal de Saúde, Antônio Pires Barbosa, rechaça. Segundo ele, os débitos realmente existiram quando assumiu a Pasta, mas foram quitados e, por conta do pagamento faltoso referente a um mês para três hospitais, a prefeitura se comprometeu com o Ministério Público Estadual (MPE) em apresentar um novo esquema de repasses. AÇÕES - Enquanto médicos e profissionais de enfermagem, o próprio MPE busca providências também. O promotor Alexandre Guedes protocolou pedido para que o desembargador Tadeu Cury reconsidere a decisão que negou a transferência dos 144 pacientes hoje acomodados em leitos irregulares do PSC. Além disso, há uma ação civil pública buscando que a Justiça determine imediatamente a realização de cirurgias no PSC ou na rede privada de 60 pacientes esperando por intervenções ortopédicas. A Defensoria Pública, que assim como o Sinpen aderiu ao movimento pela Saúde em Cuiabá, anunciou ação civil pública de danos morais coletivos, em defesa dos pacientes irregularmente acomodados no PSC. O Sindimed também está assessorando juridicamente 10 famílias de pacientes que buscam transferência.