CIDADES
Quinta-feira, 10 de Julho de 2008, 21h:18
A
A
CASO TIJUCAL
Decisão do júri inocenta motorista
Acatando a tese da defesa de negativa de autoria do crime, o júri absolveu ontem o motorista Douglas Bazanini acusado de participar da chacina
JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Por quatro votos a três, o motorista Douglas Bazanini de Souza foi absolvido ontem pelo Tribunal do Júri, no Fórum de Cuiabá. Ele é acusado de participação no assassinato do adolescente Adriano Barbosa Lima, o Talinha, um dos quatro garotos mortos em abril de 1996, na Capital, no episódio que ficou conhecido como Caso Tijucal. O Ministério Público do Estado (MPE) irá recorrer da decisão. Para a absolvição, os jurados acataram a tese da defesa de negativa de autoria do crime. Durante o julgamento, que terminou a meia-noite de ontem, Bazanini disse à juíza Mônica Catarina Perry de Siqueira que foi torturado por policias para que assumisse a culpa no assassinato. Fui levado para um porão na região do bairro Paiaguás. Eles me batiam de tarde e de noite, e mandavam confessar o crime. Em seu depoimento, ele informou que teria apenas colaborado com o ex-policial João da Silva Mendes, conhecido como Mestre Caravelas, que teria ligado solicitando ajuda para o cumprimento de um mandado de prisão. O carro, um Pampa, em que Talinha foi colocado era da empresa em que trabalhava. Conforme o Bazanini, Caravelas saltou do carro com uma arma na mão dando voz de prisão ao garoto, que estava acompanhado de uma amiga. Em seguida, se deslocou até a delegacia e deixou o policial e o garoto no local. Esta foi a segunda vez que Bazanini sentou no banco dos réus. Na primeira vez, ele foi condenado a cumprir 14 anos e seis meses de reclusão em regime fechado. Porém, a defesa conseguiu anular a sentença e, por isso, o novo julgamento. A promotora Julieta do Nascimento Souza disse que respeita a decisão do Tribunal de Júri, mas como acredita que a tese do Ministério Público deveria prevalecer irá recorrer. A tese está bem fundamentada no processo e não há dúvidas que ele (Bazanini) agiu junto com o Caravelas, disse. No entender da promotora, Bazanini sequer conseguiu provar o seu álibi. O crime - Talinha foi seqüestrado no bairro Tijucal e seu corpo foi encontrado dois dias depois na Lagoa do Palácio Paiaguás, no CPA. No dia seguinte, Marcos Henrique Sampaio, Vilmar da Silva Fernandes e Ed Nelson Soares também foram seqüestrados. Os corpos deles nunca foram encontrados. Completamente inconformada a mãe de Marcos Henrique, Odilza Sampaio, não consegue esconder o seu descontentamento com a decisão do Tribunal do Júri. Os jurados ficaram do lado dos assassinos. Para eles, a morte dos garotos não tem importância nenhuma, lamentou. Meu sentimento é de que a vida humana não vale nada. As famílias são os réus e os bandidos as vítimas, acrescentou. Ao reforçar que o MP irá recorrer da decisão, Odilza Sampaio disse que também espera a justiça divina. Hoje eu luto por justiça e não por vingança, frisou.