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Cuiabá MT, Quinta-feira, 18 de Junho de 2026

CIDADES
Sábado, 04 de Julho de 2015, 12h:32

EDUCAÇÃO

Crescendo com o funk

Mesmo com a proibição de bailes, o funk se espalha pelas ruas de Cuiabá com sua apologia à violência e às drogas

ALECY ALVES
Da Reportagem
A exibição nas ruas em som automotivos e em bailes do chamado funk proibidão, com letras e performance erótica e que fazem apologia às drogas e violência, se espalharam pelos bairros de Cuiabá e Várzea Grande, muitas vezes com a presença de adolescentes. No mês passado, a polícia apreendeu 30 adolescentes com idade entre 13 e 17 anos em um baile funk no Bairro São Gonçalo, em Várzea Grande. Na semana passada, fiscais do Disque-Silêncio da Prefeitura de Cuiabá, apoiados por policiais, interromperam um grande evento funk em uma chácara na estrada de Santo Antônio de Leverger. Nas festas, promovidas na clandestinidade, os organizadores estão usando os mais diversos artifícios para fugir da fiscalização, até as mascarando como evento beneficente. Ou seja, seguem até a meia noite como baile comum, som ameno, e depois “põe o terror” até o dia clarear, regado à bebida... e com a presença de adolescentes. O coordenador do Disque-Silêncio, Ademir Gomes, disse que os organizadores pararam até de distribuir panfletos publicitários para não chamar a atenção das autoridades. “Agora fazem propaganda só nas redes sociais”, observa. De acordo com Gomes, todas as festas funk que acontecem em Cuiabá são clandestinas. Isso porque, informa, a prefeitura não autoriza esse tipo de evento. Não que o executivo seja contra o funk, mas porque em Cuiabá, segundo ele, não há espaços com tratamento acústico e projeto de segurança apropriados. Gomes destaca que há finais de semana em que o serviço recebe queixas simultâneas oriundas de diversos bairros da periferia. Ele lembra que o atendimento é feito de quarta a domingo, a partir das 21 horas até às 5h. Telefone: 9341-3000. O comandante da Guarda Municipal de Várzea Grande, João José Mendanha, relatou que há muitas queixas por exibição do “proibidão” em equipamentos de som automotivos. Jovens que exibem as músicas em seus veículos enquanto bebem em bares, praças ou roda de amigos na porta de casa. A servidora pública A.P.L, 45 anos, vizinha de um local onde acontece festas com frequência, já perdeu as contas de quantas vezes teve de ligar para a polícia no meio da noite porque não conseguia dormir. Na última, há algumas semanas, conta, pensou que a noite seria tranquila, mesmo com uma festa rolando do outro lado do muro. Até a meia noite o som estava normal, com volume aceitável. De repente ouviu um estrondo e gritos, palavrões, era o tal funk proibidão começando. “Saltei da cama assustada, meio dormindo, sem entender o que acontecia, e não consegui mais dormir até que a polícia apareceu e acabou com a festa”, relata. Foi em na feira livre que acontece às terças-feiras no bairro Planalto que a moradora L.C.C., 35 anos, diz ter assistido uma das piores cenas de adolescentes dançando funk. “As meninas viravam de cabeça para baixo, colocavam os pés no muro e com as mãos no chão começavam a rebolar enquanto os rapazes vinham por baixo se esfregando nelas como se estivessem acasalando. Um horror! Fiquei envergonhada”, descreve.

Edição EDIÇÃO 16965




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