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CIDADES
Segunda-feira, 30 de Março de 2009, 22h:23

SOLOS

Conhecimento para racionalizar uso

Estudo inédito em curso irá apontar áreas mais adequadas à agricultura em MT e demais atividades e ajudar na preservação do meio ambiente

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Com uma extensão territorial de 906.069 quilômetros quadrados, Mato Grosso possuiu quase 30% de solo arenoso, ou seja, frágil e que se degrada facilmente. Indicar qual a melhor forma de uso dessa parcela, seja para agricultura, pecuária, reflorestamento ou preservação, é o objetivo da pesquisa “Classificação do solo”, coordenada pela Secretaria de Planejamento (Seplan). “A pesquisa revela que as áreas de solo frágil precisam ser preservadas e usadas com cuidado e de forma sustentável”, afirma o professor sênior da Universidade Federal Rural de Pernambuco, Dr. Paulo Klinger Tito Jacomine, considerado o maior especialista brasileiro na área de solos e que participa do estudo em Mato Grosso. A pesquisa também conta com a participação de pesquisadores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística de Goiás, da Embrapa (Milho e Sorgo de Minas Gerais e do Rio de Janeiro) e da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Dividido em etapas, o estudo começou no ano passado e já atingiu 25 municípios, como Cáceres, Pontes e Lacerda, Lambari D’Oeste, Chapada dos Guimarães, Paranatinga, Jaciara, Santo Antônio de Leverger, Barra do Bugres, Campos de Júlio, Sapezal, Juína, Porto dos Gaúchos, Sinop, Nobres e Brasnorte. Uma nova etapa começou esta semana e se estenderá até o dia 5, período em que os pesquisadores visitam sete municípios: Cuiabá, Campo Novo do Parecis, Sapezal, Comodoro, Juína, Juara e Sinop. “O resultado do trabalho poderá integrar o projeto do Zoneamento Socioeconômico Ecológico, que se encontra na Assembleia Legislativa”, observa o secretário-adjunto da Seplan, Arnaldo Alves de Souza Neto. De acordo com Paulo Klinger, uma das idéias é que seja feita um detalhamento dos tipos de areia e, diante dos resultados, apresentar as recomendações para o uso mais adequado. “Os solos arenosos de Mato Grosso não podem ser tratados de forma igual”, frisa. Além da erosão e voçorocas, que são problemas sérios nas áreas arenosas, o solo e as reservas aquíferas podem facilmente sofrer contaminação por agrotóxicos e adubos. Em Mato Grosso, conforme o pesquisador Virlei Álvaro de Oliveira, de Goiás, existem várias áreas que apresentam fragilidades ambientais. Ele cita como exemplo a cabeceira do Alto do Jauru, Reserva do Cabaçal e a base do Planalto do Parecis. “No Alto Taquari, por exemplo, temos grandes erosões e voçorocas”, alerta. Conforme Virlei Álvaro, estas áreas apresentam uma fragilidade natural, agravada pelo desmatamento das cabeceiras dos rios, lagos e córregos. “Têm que ser feitas interferências sob pena de prejudicar todo o restante como uma disponibilidade de água cada vez menor”.

Edição EDIÇÃO 16964




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