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CIDADES
Sexta-feira, 22 de Novembro de 2013, 20h:22

OBRA PARADA

Condomínio de marginais

O que era para ser o Centro Socioeducativo de Várzea Grande se transformou em um ambiente freqüentado por ladrões e viciados

YURI RAMIRES
Da Reportagem
Abandonada há dois anos, a obra do Centro Socioeducativo de Várzea Grande, no bairro São Francisco, projetado para atender adolescentes em conflitos com a lei, se tornou um problema para a vizinhança. Acontece que a obra não foi finalizada e está abandonada pelo poder público, tornando-se um “condomínio” da criminalidade. O esqueleto do centro está construído em uma área de aproximadamente 3 hectares, que contam com 9 blocos que deveriam ser divididos em dormitórios, refeitórios, área de saúde, igreja, espaço de lazer e salas para capacitação e ressocialização de adolescentes. De acordo com o José Alves de Oliveira, que mora a poucos metros da obra há 17 anos, a construção passou a ser ponto encontro de usuários de droga e está tirando a tranquilidade dos moradores há meses. Segundo Oliveira, que trabalhou de guarda durante seis meses na obra, o local estava praticamente pronto, faltando apenas algumas instalações. "É inacreditável o que houve aqui. A obra estava quase pronta e olhe agora: levaram janelas, telhas, canos", lembra o vizinho. As estruturas estão sendo tomadas pelo mato que cresce em volta. Nos interiores, poças d'água começam a se formar, provenientes das chuvas. Não precisa andar muito para se deparar com peças íntimas, preservativos e bitucas de cigarro no meio de tijolos quebrados e canos cortados. Outro morador da região, que não quis ser identificado, conta que assim que a obra foi abandonada, muita gente começou ir até o local roubar as telhas e o que podia da estrutura, uns para o uso próprio e outros para trocar por drogas. Ele explica que os vizinhos vivem apreensivos, pois nunca sabem o que esperar das pessoas que frequentam o local. "Não gosto de sair para trabalhar e deixar minha esposa e minha filha em casa. Fico preocupado com o que pode acontecer. Fora que determinei espaços que as crianças podem brincar, para não acabar indo para aquele lado", diz, apontando a estrutura. A construção do Centro Socioeducativo de Várzea Grande teve início em 2010 e foi orçada em quase R$ 8 milhões. A unidade era para ter sido entregue no final de 2011, o que acabou não acontecendo. Antes de ser completamente abandonada, a obra foi paralisada. Segundo os trabalhadores, o Estado estava atrasando o repasse de verba, refletindo no salário dos operários. Na época, a Secretaria Estadual de Direitos Humanos (Sejudh) justificou que o projeto havia sido alterado e dependia da liberação de recursos para dar continuidade na construção. Logo, o custo da obra passou para R$ 10 milhões. Por meio da assessoria, a Sejudh informou que as obras no local estão prestes a ser retomadas por uma nova construtora, mas não informou uma data.

Edição EDIÇÃO 16964




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