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Cuiabá MT, Quarta-feira, 17 de Junho de 2026

CIDADES
Sábado, 07 de Março de 2009, 11h:43

HOMENAGEM

Com a palavra, mulheres de verdade

Em mais um Dia Internacional, cuiabanas como Elaine, Luzinete e Benedita expõem os anseios da alma e a esperança por dias melhores

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
No vai-e-vem da cidade, uma multidão de gente apressada desliza pelo duro asfalto, debaixo do sol escaldante de Cuiabá. São pessoas que se cruzam, muitas vezes nem se olham, mas que formam um mosaico repleto de facetas e de histórias para contar. Entre elas, histórias de vida de mulheres, de nomes comuns como Elaine, Luzinete e Benedita, mas que evidenciam a força e a determinação do universo feminino que representam. Anônimas, mas ousadas. Simples, mas não submissas, apesar de ainda hoje precisarem lutar contra uma parte de um mundo machista, onde muitas são vítimas da violência dentro de seus próprios lares, preconceitos e discriminação, especialmente, quanto à capacidade profissional. Em mais um Dia Internacional da Mulher as cuiabanas, nascidas ou de coração, provam que são guerreiras e, sem distinção de raça, cor, crença ou classe social, acreditam que a melhor maneira de crescer é enfrentar o medo ou qualquer forma de opressão. Elas não se acham melhores do que os homens, mas, sem dúvidas, são especiais. “Mulher é razão e emoção e, por isso, vem conquistando cada vez mais espaço em áreas que antes somente a presença do homem predominava”, acredita a garçonete Elaine Gomes Carvalho, 30 anos. Mãe de Camille e Guilherme, de 5 e 4 anos, Elaine Gomes conta que trabalha muito para sustentar, sozinha, as crianças. Natural de Caçapava, cidade do interior de São Paulo, ela veio para Cuiabá há 19 anos. Apesar das dificuldades, ela garante que não desistiu de seus sonhos. “Meus planos hoje estão focados em fazer faculdade. Quero fazer Administração e dar um futuro melhor para os meus filhos”. Por outro lado, Elaine afirma que não tem muita preocupação ou medo do que o destino lhe reserva. “Sou de uma família cristã e quando se tem fé em Deus os medos ficam pequenos”, assegura. “Hoje, as mulheres são mais independentes e têm melhores condições para realizar os seus sonhos. Basta correr atrás que a gente consegue, mesmo que aos poucos, conquistar o nosso espaço”, acredita. Para a operadora de caixa Luzinete Brito de Souza, 37 anos, a receita para vencer as dificuldades está na coragem e determinação em seguir o caminho, por mais obstáculos que possam surgir. É com esta firmeza que ela criou os cinco filhos. “Sou ao mesmo tempo pai e mãe, além de chefe de família”, conta. “Ser mulher é isso, uma verdadeira fortaleza”. É com esta força, ao mesmo tempo em que não lhe falta ternura e delicadeza, que a filha de Luzinete, Ingrid Suellyn de Souza Pereira, 18 anos, encara a vida. “Comecei a trabalhar aos 17 anos e sempre procurei conquistar meu espaço no mercado de trabalho, mas nunca enfrentei qualquer tipo de discriminação”. Aos 59 anos, a vendedora ambulante Benedita Aparecida Moura também é uma “muralha”. “Criei meus quatro filhos e apesar de alguns problemas de saúde ainda estou na luta”, frisa. Natural de Barretos, Benedita mora em Cuiabá há 32 anos. Mãe e esposa dedicada, ela garante que, atualmente, só tem uma preocupação. “Tenho medo de envelhecer e não ser amada pela família”. Apesar de não acreditar, se isso acontecer, ela afirma que o coração é grande o suficiente para perdoar. “Mulher é assim: é sempre capaz de amar e perdoar”.

Edição EDIÇÃO 16964




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