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CIDADES
Terça-feira, 25 de Agosto de 2009, 09h:00

QUEIMADAS

Colniza tem mais focos

Última fronteira norte é líder no período proibitivo do uso do fogo, com 8% dos registros estaduais, que caíram 37,35%

STEFFANIE SCHMIDT
Especial para o Diário
A “última fronteira” norte em Mato Grosso é líder no ranking de municípios com maior numero de focos de calor: Colniza registrou 615 focos no período proibitivo de queimadas, segundo dados divulgados ontem pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema). Colniza (1.065 quilômetros da Capital) sozinha é responsável por 8,1% do total de focos – 7.589 - nesse período, que começou em 15 de julho e vai até 15 de setembro. No geral, Mato Grosso registrou queda de 37,35% no número de focos em relação ao mesmo período do ano passado. A presença do município no pódio de focos é recorrente, segundo o coordenador de Gestão do Fogo em Mato Grosso, coronel Alessandro Borges. “Como ainda não é uma região consolidada tem muita queima de área para limpeza de terreno, seja para a criação de gado ou por conta da ação de madeireiras”, explicou Borges. A preocupação é tanta que uma equipe foi destinada para ficar na região contendo os focos durante os próximos dois meses. “Por enquanto, estamos falando de focos. Os dados reais sobre as queimadas só teremos no final do ano”, explicou. A região de 27.947,646 quilômetros quadrados, fronteiriça com Rondônia e Amazonas, tem predominância de Floresta Amazônica. “Pega fogo igual ao cerrado nesta época de seca, inclusive é pior de conter o fogo”, afirmou coronel Borges. Colniza fez parte do projeto de colonização da Amazônia intensificado na década de 80. Alcançou o posto de cidade somente em 1998. Em 2004 ficou nacionalmente conhecida como a cidade mais violenta do país, por conta do numero mortes registradas, segundo um estudo divulgado pela Organização dos Estados Ibero-Americanos. TERRAS INDÍGENAS - Outro dado que vem gerando preocupação por parte da Sema é o registro de 12% de focos de calor desde janeiro em terras indígenas. A Utiariti, localizada nos municípios de Campo Novo do Parecis e Sapezal, é a campeã de ocorrências com 378 focos, seguida da Paresi, em Comodoro, com 369 pontos. “A questão cultural interfere muito, mas promovemos conscientização das etnias em relação ao fogo”, afirmou o administrador da Funai em Cuiabá, Gilmar Campos. Segundo ele, a queima da mata em forma de ferradura, no entorno da aldeia, é utilizada para caça por vários indígenas no Estado. A preocupação levou o governo do Estado, em parceria com a Funai, a criar o projeto de formação de indígenas brigadistas. Em um ano, o projeto formou 28. As unidades de Conservação Estaduais correspondem a 1% do total de focos, enquanto as federais registram 1,5%. “A maioria das queimadas acontece fora dos 30% de área passível de licenciamento. Nas regiões monitoradas pelo MT Legal, os focos são muito poucos”, afirmou o secretário estadual de Meio Ambiente, Luiz Henrique Daldegan. O sistema conta atualmente com 7,5 mil terrenos licenciados. Desde janeiro, a Sema emitiu 178 autos de infração referentes a 49,1 mil hectares de área queimada, totalizando R$ 261,1 milhões em multas.

Edição EDIÇÃO 16960




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