CIDADES
Sábado, 05 de Fevereiro de 2011, 14h:42
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MOBILIDADE
Cidade precisa de mais ruas e avenidas
Constatação é de especialistas em urbanismo que criticam projetos elaborados para Cuiabá visando 2014 por errarem no óbvio: falta de espaço
CAROLINA HOLLAND
Da Reportagem
O projeto de mobilidade urbana para a Copa do Mundo de 2014, com seus viadutos e trincheiras, pontes e corredores viários, trará melhorias para o problema do trânsito de Cuiabá. Mas, apesar de necessárias, as medidas serão insuficientes. O raciocínio de especialistas é simples, mas parece ter sido esquecido durante décadas pelas administrações públicas: se aumentam os veículos, é preciso que aumente a quantidade de ruas e avenidas. Urbanistas ouvidos pelo Diário afirmam que não é possível consertar os problemas de décadas no trânsito em apenas três anos, prazo estipulado para a entrega das obras. Faltou planejamento durante as décadas de 70 e 80, quando aumentou o fluxo migratório para a cidade, afirma o mestre em Engenharia Ambiental e professor de Projetos Urbanísticos e Planejamento Urbano da UFMT, Valdinir Piazza Topanottim. O arquiteto e urbanista José Antônio Lemos tem a mesma opinião. É preciso entender o problema, que é muito lógico: aumentou o número de carros em Cuiabá, mas o número de ruas é praticamente o mesmo, diz. Tanto Lemos quanto Piazza afirmam a necessidade das intervenções que estão por vir, mas destacam que, sozinhas, essas obras não poderão trazer todos os avanços esperados para a trafegabilidade nas ruas e avenidas da cidade. É preciso abrir novas vias. As obras do projeto da Copa vão ficar muito bonitas, sem dúvida, mas resolverão 80% dos problemas e o destino delas é ficar engarrafadas, avalia Lemos. Para Piazza, uma das soluções para o trânsito de Cuiabá seria a construção de novas vias circulares, como a avenida Miguel Sutil. A prefeitura construiu o Rodoanel, mas isso não ajuda a descongestionar a região central da cidade porque a avenida fica muito afastada, diz o urbanista. Nesse sentido, Cuiabá precisaria de uma via circular mais próxima de regiões geradoras de tráfego, como a avenida do CPA, por exemplo. O urbanista critica ainda o alto investimento em obras que inevitavelmente trarão problemas. Vai ser construída uma trincheira na avenida Miguel Sutil, perto do hotel Global Garden, que vai custar mais de R$ 35 milhões, e vai ficar engarrafado mais cedo ou mais tarde. Aquela região precisa de uma via que contemple a redução do trânsito, opina Piazza. José Antônio Lemos também defende alguns investimentos menores que poderiam trazer vantagens. Por que não dar uma repaginada na avenida General Melo? Ou mesmo investir em pavimentação em ruas já existentes? São obras com custo muito menor e que também são essenciais. Os dois especialistas também defendem a construção da avenida do Barbado, projetada há muito tempo, diz Lemos, e que desafogaria o trânsito tanto na avenida Fernando Correa quanto na avenida do CPA. O projeto de mobilidade urbana deve começar a ser executado ainda este ano, com a construção do corredor BRT (Bus Rapid Transit) Aeroporto-CPA.