CIDADES
Terça-feira, 17 de Março de 2009, 20h:25
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DENGUE HEMORRÁGICA
Casos podem aumentar
Desde janeiro, já foram confirmados 13 casos na capital. Com as chuvas, tendência é de aumento da doença
A tendência de acréscimo no registro de casos de dengue hemorrágica em Cuiabá até que o período das chuvas se encerre está deixando a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) em alerta. Dados coletados de janeiro a 14 de março apontaram 13 casos de dengue hemorrágica confirmados no município e oito com complicações. Duas crianças morreram semana passada com suspeita da doença na Capital, o que elevou para seis o número de mortes no Estado. Outros 29 possíveis casos da doença em estágio grave continuam sob investigação, aguardando resultado de exames laboratoriais para a confirmação. Nove suspeitas de dengue hemorrágicas, não contabilizadas no balanço divulgado pela SMS, também foram registradas nos últimos três dias. Somados a dengue clássica, são 407 casos notificados na Capital em 2009, com 97 confirmações até o momento. O diretor de Vigilância, Saúde e Ambiente, Wagner Simplício, afirmou que a epidemia da doença já era esperada para Mato Grosso em 2009 desde ano passado. Possivelmente teremos mais casos. A cada chuva, os números negativos evoluem. Percebemos que está em decréscimo os casos de dengue clássica e em ascensão os de Febre Hemorrágica da Dengue (FHD), frisou. Segundo Simplício, com os surtos de dengue em anos anteriores, grande parte da população já contraiu os sorotipos I e II da doença. A indicação é que a maior incidência da doença em Mato Grosso é pelo III, o mais agressivo. Cada pessoa contrai determinado sorotipo apenas uma vez. Quem já contraiu o I e II, e posteriormente pega o III tem mais propensão a evoluir para dengue hemorrágica ou com complicações. Simplício afirmou que um estudo epidemiológico está sendo realizado para descobrir os sorotipos em circulação na cidade. Ele alerta que agora os principais cuidados que a população deve tomar é com a eliminação de criadouros do mosquito e com o tratamento e diagnóstico da doença. A princípio os sintomas da dengue são de uma virose comum. Por isso, enviamos diversos alertas para os médicos de que todo sintoma de virose deve ser tratado como dengue. A população também não deve se automedicar e sim, procurar um médico, que deve acompanhar o caso, pois a evolução para a dengue grave e para a morte pela doença é avassaladora, orientou Simplício. A dengue clássica e a grave são similares no começo. Apenas dias após a aparição dos primeiros sintomas é que o quadro do paciente começa a se agravar. Quando detecta-se dengue hemorrágica a queda no número de plaquetas é rápido, e se o médico não estiver alerta, a evolução para óbito pode ocorrer em 24 horas. Orientamos a fazer a prova do laço, que consiste na medição da pressão. O teste mostra a fragilidade capilar e se aparecerem manchas vermelhas pelo corpo no momento da avaliação, deve-se pedir um hemograma para avaliar a quantidade de plaquetas. A perda de plaquetas leva a hemorragias, que começam pelas narinas, gengivas e podem avançar para vômito e para sangramento em todos os órgãos. O normal é que um adulto tenha cerca de 150 mil plaquetas e a criança 100 mil. A responsável técnica pelo Programa de Combate a Dengue, Alessandra Carvalho, frisou que os principais criadouros de larvas são encontrados em casas onde há moradores e não em terrenos abandonados. Hoje os bairros mais preocupantes são Pedra 90 e Cidade Alta. A chuva agrava o quadro pelo fato de que o ovo do mosquito sobrevive no criadouro por até um ano, com a água que cai, ele então consegue se reproduzir.