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Cuiabá MT, Segunda-feira, 15 de Junho de 2026

CIDADES
Sábado, 24 de Março de 2012, 14h:32

SAÚDE

Casas que recuperam

Audiência pública vai discutir o financiamento público a entidades que ajudam a recuperar dependentes químicos

JARDEL PATRÍCIO ARRUDA
Da Reportagem
No dia 29 de março a sociedade mato-grossense terá a chance de se posicionar perante uma discussão de âmbito nacional que tem afetado diretamente o Estado. Nesse dia, uma audiência pública discutirá a possibilidade das Casas Terapêuticas (CT) receberem verbas do Conselho Estadual de Políticas Públicas Sobre Drogas (Conen) para trabalhar com a recuperação de dependentes químicos através da laborterapia e tratamento espiritual cristão, métodos duramente criticados pelos Conselhos Nacional e Regional de Psicologia. A audiência foi requerida pelos deputados estaduais Emanuel Pinheiro (PMDB) e Sebastião Rezende (PR), ambos defensores do trabalho realizado nesses lugares. Ela seria uma espécie de “resposta” a um relatório, divulgado em dezembro de 2011 pelo Conselho Regional de Psicologia, sobre a inspeção de cinco casas. O relatório considerava a todas como inadequadas para o tratamento de um usuário de drogas. Entre os itens, o relatório apontava falta de equipe especializada e, em alguns casos, acusava até mesmo maus tratos contra os internos. Por esses motivos, o conselho exigia o fim dos repasses de verbas públicas a essas unidades. Contudo, os dois deputados autores do pedido da audiência acreditam que as casas suprem a carência do estado com clínicas deste tipo, além de oferecerem um tratamento alternativo para quem não se adapta a ambientes hospitalares ou ao uso de medicação controlada. Após a divulgação do relatório do CRP, o Diário de Cuiabá visitou várias Casas Terapêuticas e encontrou um ambiente muito diferente do apontado. Agora, com a proximidade da audiência pública, visitamos outras casas para ouvir a opinião de quem é ajudado por essas instituições sobre esse embate com a classe dos psicólogos. “Eles deveriam é dar um jeito de ajudar. Muitos aqui já passaram por psicólogos, psiquiatras e clínicas, mas não foram libertos das drogas. Aqui estamos conseguindo isso. Estamos nos reabilitando”. Esse discurso foi repetido por vários internos da unidade masculina do Lar Cristão, entidade filantrópica evangélica que visa à recuperação de dependentes químicos. Na casa há internos vindos de várias partes diferentes do Brasil e alguns deles contam como perderam a confiança e o contato com a família, ficando sozinhos na complicada luta para se recuperar. “Aqui nós temos uma família. E se essas casas terapêuticas fecharem por falta de dinheiro, para onde vamos? Não pensam em nós?”, disse um interno. Por fim, outro ponto levantado por eles é a dificuldades que a maioria teria em se manter em uma clínica particular. Nas Casas Terapêuticas, eles, ou suas famílias, contribuem com o quanto puderem e apenas se puderem.

Edição EDIÇÃO 16962




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