CIDADES
Terça-feira, 14 de Julho de 2015, 20h:50
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JUSTIÇA
Casal matou bebê, afirma promotor
Para o Ministério Público de Mato Grosso (MPE), não há dúvidas da culpa e da omissão do casal André Luiz Pinto de Souza e Tainara Cardoso de Araújo, acusados de matar o próprio filho, de um mês e 29 dias de vida. Conforme o MPE, o caso merece tanto destaque quanto a morte da menina Isabella Nardoni, ocorrida em 2008, em São Paulo. Os dois sentaram ontem no banco dos réus no Fórum de Cuiabá. O Tribunal do Júri é presidido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, da 1ª Vara Criminal de Cuiabá. O MPE, autor da denúncia contra o casal, argumentou que a criança ficou poucos dias em casa, e que durante todo esse período foi mordido em diversas partes do corpo pelo pai. A criança ficou no Santa Helena, onde nasceu e em seguida foi internada novamente na Santa Casa, do período que teve alta e foi para casa, levou ao menos uma mordida por dia de forma violenta, disse o promotor de Justiça Vinicius Gahyva. De fato, na perícia, pode-se constatar diversos hematomas no corpo da criança. Para o MPE, esse seria apenas um dos fatos que mostram o quanto o casal não tinha bom cuidado com a vida do novo membro da família. Em meio a uma discussão do casal, André teria jogado a criança em um colchão no chão da casa que, depois disso, teria começado a agonizar e ficado assim por dois dias, sem nenhuma ação de socorro da família. Tainara argumentou que tentou levar a criança até uma unidade de saúde, mas era impedida pelo marido. Ela argumentou ainda que sofria violência doméstica, mas nada foi constatado, nem mesmo uma denúncia contra André ela teria feito. O marido, por sua vez, teria dito que não era para ela levar a criança ao médico devido aos hematomas que ele tinha no corpo. Ele dizia à esposa que o Conselho Tutelar tiraria o pequeno deles, caso visse as marcas de agressão. Uma das testemunhas era o pastor da igreja que o casal frequentava. Ele contou que recebeu a ligação do casal avisando que o bebê não estava bem, e eles o levaram até sua casa, para uma oração. Tudo isso aconteceu em seis de janeiro de 2014. Conforme o MPE, ambos já saberiam que a criança estava morta, uma vez que em depoimento, eles já haviam afirmado que em casa, por volta das 0h30, ela já não apresentava sinais vitais. Ou seja, houve tempo de ligar para o pastor, levar a criança até lá, para ele orar por ela. Eles esperavam um milagre de Deus. Mas, não tiveram a capacidade de ligar para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), disse a acusação. O pastor disse ainda que, quando colocou a mão na testa do bebê, ele já estava gelado. Durante o tempo em que o Diário esteve no Fórum, não foi possível conversar com a defesa do casal. Até às 20 horas de ontem, uma sentença não havia sido proferida pelo júri, que começou por volta das 8h.