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CIDADES
Segunda-feira, 05 de Maio de 2003, 20h:42

HISTÓRIA

Casa de shows Sayonara é demolida

Durante mais de três décadas, espaço recebeu os maiores nomes da música brasileira

RODRIGO VARGAS
Da Reportagem
Três operários e uma pá carregadeira deram fim ontem a uma porção nostálgica e festiva da memória cuiabana. A boate Sayonara, fechada em 1989 após 33 anos de shows de renome nacional, foi reduzida a escombros que, em breve, darão lugar a um moderno conjunto residencial. A decisão dos atuais proprietários – o grupo imobiliário Haddad – calou fundo no coração do fundador da casa de espetáculos, Nazi Bucair, de 70 anos. De sua casa, bem no lote vizinho, ele acompanhou indignado as investidas da máquina sobre o antigo prédio. “Eles podem demolir o que quiserem, mas a história não morrerá nunca”, bradou. Nos últimos meses, Bucair vinha se esforçando na tentativa de impedir a destruição do espaço. Ao contrário, defendia ele, a boate Sayonara deveria ser preservada como um patrimônio cultural do povo da cidade. “Foram décadas de sucesso nas quais o Sayonara projetou Cuiabá no cenário artístico nacional”, defendeu. Queria que o espaço todo se transformasse em uma espécie de museu de si mesmo, recheado com as milhares de recordações que Bucair guarda em seus álbuns de fotografias. Elas contam a história de um surpreendente espaço que, a despeito do ainda hoje notado isolamento de Cuiabá, conseguiu trazer exatamente 1004 artistas a seus palcos. Dentre os quais, nomes do primeiro time da música popular, como Roberto Carlos, Maysa, Jair Rodrigues, Ângela Maria, Orlando Silva, Beth Carvalho, Alcione, Agnaldo Rayol e Grande Otelo. “Aquilo sacudia a cidade”, lembra. Em abril de 1969, quando a capital completava 250 anos de fundação, foram 15 artistas – Valdick Soriano, Sérgio Reis e Wanderléa, entre outros - de uma vez só. “Eles chegaram no aeroporto e seguiram em carro aberto até o Sayonara”. Outro grande momento foi a participação internacional de um certo Ivan Kraskin. “Ele trabalhou com Marlon Brando no filme ‘Deuses Vencidos’ e veio a Cuiabá para uma apresentação inesquecível. Esta foi uma de muitas grandes noites que vivemos aqui”. Após 33 anos de funcionamento em que, segundo ele, jamais houve queda na popularidade, problemas de saúde teriam forçado Bucair a fechar as portas. “Meu médico disse: venda logo, se quiser continuar vivo. Foi o que fiz. Mas, na última noite, colocamos 2 mil pessoas na casa”. O ex-empresário da noite depositava suas últimas esperanças na ajuda da Secretaria Municipal de Cultura, a quem conta ter levado a idéia do museu. Ontem, viu o sonho desabar. “Cuiabá inteira vai sentir saudades”. LEIA TAMBÉM #LINK#138425#Demolição vai compor último capítulo de livro

Edição EDIÇÃO 16964




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