CIDADES
Quarta-feira, 27 de Agosto de 2008, 20h:23
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OTORRINO
Bebê tem morte suspeita
Criança de 1,8 ano foi atendida no hospital para fazer exame e acabou na UTI da Femina, onde morreu após 4 dias
ALEXANDRE APRÁ
Da Reportagem
A Polícia Civil vai investigar as causas da morte de uma criança de apenas um ano e oito meses que morreu ontem, quatro dias depois de iniciar um procedimento anestésico para a realização de um exame no Hospital Otorrino, em Cuiabá. O teste, chamado de audiometria bronco-cerebral, seria realizado no sábado. Ainda no local, na hora da anestesia, o garoto Paulo Henrique Pereira dos Santos começou a passar mal e precisou ser transferido. Encaminhado para a UTI da Clínica Femina, ele morreu no final da manhã desta quarta-feira. A certidão de óbito aponta morte encefálica parada cardiorrespiratória por indução anestésica. Maisa Pereira dos Santos, mãe do menino, conta que o havia levado ao pediatra porque ele estava com um leve ronco ao dormir. Então, a pediatra encaminhou a família ao otorrinolaringologista Anderson Botti, do Hospital Otorrino. Depois da consulta no último dia 18, ele pediu o exame para diagnosticar o problema. O bebê não tinha problema nenhum, nem febre, nem dor e nem mesmo dificuldade para dormir. Só percebemos que ele estava roncando bem pouquinho. Mas isso nem sequer atrapalhava o sono. Achamos que ele tinha problema na adenóide, disse. Ao chegar no hospital, na manhã de sábado, a mãe entrou na sala onde seria realizado o exame. Segundo Maisa, a fonaudióloga Elizete Martins Whisher pegou a criança em seu colo. Em seguida, o menino começou a chorar muito. Depois disso, conforme o relato de Maisa, o anestesista José Pinheiro da Silva começou a entubar e iniciar o processo de anestesia da criança. Ele (Paulo Henrique) chorava muito e se debatia e ele (médico) continuava enfiando os aparelhos, relatou a mãe. Após alguns segundos, a mãe percebeu que o filho começou a virar o olho e parou de chorar. Nesse momento, Maisa entrou em desespero e correu até a sua mãe, Maria de Fátima Pereira da Silva, que aguardava do lado de fora do consultório. Socorro. Eles mataram meu filho, gritava. Após o ocorrido, a família relata que houve movimentação de médicos e enfermeiros para trazer equipamentos de reanimação que, segundo eles, não estavam no consultório onde o exame era realizado. Não tinha nenhum equipamento. Eles traziam de outro andar, contou a avó. Depois da tentativa de reanimação, a criança foi transferida para a Femina. Segundo a família, nenhuma informação foi passada pelos médicos do hospital. Eles só falavam que era uma coisa que podia acontecer, mas não davam detalhes do que aconteceu, disse a mãe. A família registrou boletim de ocorrência no Cisc Verdão ainda na tarde de ontem e a polícia vai abrir inquérito para apurar a morte do menino. Os familiares acreditam em negligência médica. Eu acho que ele morreu asfixiado com a grosseria do anestesista, opinou a mãe. A família fez questão de doar os órgãos do menino, único filho de Maisa. Pelo menos agora ele pode ajudar a salvar outras vidas, disse a avó emocionada, contando que ontem Paulo Henrique completaria um ano e oito meses. No início da noite, o corpo da criança ainda estava no Instituto Médico Legal para realização de necropsia. Ele será velado na funerária Jardins e, até o fechamento desta edição, a família não sabia onde e que horas ele seria enterrado. A reportagem foi ao Hospital Otorrino na tarde de ontem. Mas as recepcionistas informaram que a diretoria clínica da unidade não iria se pronunciar até que o caso fosse esclarecido. OUTRO CASO No dia 30 de maio, a oficial de Justiça Heidi Aparecida de Almeida também morreu após ser submetida a procedimento cirúrgico reparador no nariz, no Hospital Otorrino. Ela sofreu uma parada cardiorrespiratória e foi transferida para outra unidade hospitalar, mas veio a falecer no dia 6 de junho. A família de Heidi acredita que ela foi vítima de negligência médica, dada a simplicidade do procedimento por que passou. A Polícia Civil também investiga o caso.