NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Quarta-feira, 17 de Junho de 2026

CIDADES
Sábado, 21 de Março de 2009, 13h:49

VIOLÊNCIA URBANA

Bancos na alça de mira

Com a crescente onda de assaltos a bancos, principalmente no interior, bancários enfrentam situações traumáticas

RENÊ DIÓZ
Especial para o Diário
A onda de assaltos ocorridos este ano em agências bancárias do Estado compreensivelmente aflige aqueles que encaram diretamente a atuação dos criminosos – os bancários. A despeito de todo o aparato de segurança disponibilizado pelos bancos, esses trabalhadores recentemente passaram por episódios dramáticos. Estes, observados objetivamente, consistem em acidentes de trabalho que, não raro, resultam em traumas. Este ano, foram três invasões no Estado a agências bancárias com funcionários trabalhando no momento da ação – no ano passado foram oito, conforme dados do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários e do Ramo Financeiro do Estado de Mato Grosso (Seeb-MT). No final de fevereiro, a violência chegou a motivar uma reunião entre representantes do sindicato e da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) a fim de discutir a vulnerabilidade das agências bancárias. Afinal, munido de poder bélico, o crime organizado se aproveita especialmente da vulnerabilidade no interior do Estado, pegando as agências bancárias de surpresa e intimidando a atuação policial. Entretanto, com ou sem resistência da polícia, a violência é igualmente marcante para funcionários do interior ou da região metropolitana. “Para o bancário, o trauma resultante de assaltos é um tremendo acidente de trabalho, que afeta toda a capacidade laboral da pessoa”, considera o presidente do Seeb, Arilson da Silva. “O pior é que, muitas vezes, o banco ainda exige que o sujeito vá trabalhar no dia seguinte”, aponta. Neste caso, o presidente explica que é atribuição do sindicato representar o trabalhador na defesa de seus direitos. Tal atuação consiste, primeiramente, na exigência da instituição bancária da emissão de um documento denominado Comunicado de Acidente de Trabalho (CAT). Trata-se de um importante instrumento para documentar o trauma vivido pelo trabalhador. O registro permite que ele e o sindicato atestem a necessidade de, por exemplo, um tratamento de saúde posterior ao acidente. Conforme relata o presidente do Seeb, são comuns casos de bancários que apresentam, após assaltos, crises características da síndrome do pânico. O distúrbio provoca estados de aflição na pessoa, que podem ser provocados por simples ruídos cotidianos. Estes eventualmente remetam ao som característico de um episódio violento, como um tiroteio. Por isso, o acompanhamento médico e psicológico são um direito cujo cumprimento é constantemente cobrado pelo Seeb, bem como períodos de afastamento. Arilson comenta que alguns chegam a ficar 30 dias sem trabalhar em prol da recuperação do equilíbrio mental. É o momento em que deve se fazer presente a verdadeira valorização que o trabalhador merece. De acordo com o Seeb, os bancos inicialmente, sempre dificultam o cumprimento destes direitos, estabelecendo uma série de entraves, principalmente os privados como Bradesco e Itaú.

Edição EDIÇÃO 16964




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL