CIDADES
Sexta-feira, 11 de Fevereiro de 2011, 20h:04
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PERIGO NAS RUAS
Avaliação de árvores será só em março
Mesmo com queda em 1 semana de 2 exemplares na avenida Lavapés, prefeitura informa que restabelecimento das vistorias demora ainda um mês
JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Em menos de uma semana, Cuiabá registrou duas quedas de árvores na avenida Lavapés, que tem intenso movimento de carros e pedestres, fica numa das regiões mais nobres da cidade e possui dezenas de tipos de ipês rosa e ingá-mirim ao longo da calçada e do canteiro central. Em dezembro do ano passado, uma forte ventania derrubou aproximadamente 100 árvores em diversos pontos da Capital. O risco é iminente, apesar de o fato ser considerado comum neste período de chuvas. Porém, a população terá que esperar ao menos até a segunda quinzena de março para ter restabelecido o serviço de análise de risco de queda ou de poda dessas plantas. Segundo o gerente do Departamento de Parques e Jardins da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminfe), Ronaldo da Costa Marques, o contrato com a empreiteira que fazia os trabalhos venceu em outubro do ano passado e o processo de licitação para contratação de nova empresa ainda será feito. Após a licitação, a equipe vai ser treinada para fazer a análise de risco, verificar se estão podres ou e se tem que fazer podas ou cortes, disse. Em março, começamos a avaliação, afiançou. As duas árvores que caíram na avenida Lavapés estavam a cerca de 10 metros uma da outra, uma, na calçada externa, e outra, dentro da área do 44º Batalhão de Infantaria Motorizada (44º BIMtz). As duas ficaram com as raízes expostas. No acidente ocorrido na última segunda-feira, um ingá-mirim de grande porte despencou sobre um veículo e, por pouco não matou na hora a motorista. Por dentro, a árvore estava apodrecida. O trânsito no local permaneceu lento por mais de uma hora e foi controlado por agentes de trânsito da Secretaria Municipal de Transporte Urbano (SMTU). A outra queda ocorreu anteontem à tarde e não provocou prejuízos. Ontem pela manhã, aproximadamente 15 soldados do Exército serravam galhos e troncos para retirar o entulho do local. Relações públicas do 44º BIMtz, o capitão Fábio Gomes Barbosa disse que a queda surpreendeu porque as árvores estavam em condições boas. Surpreendeu porque estavam verdes, comentou. Sobre a existência de cupins nas plantas, Gomes evitou comentar porque, conforme ele, é difícil fazer a avaliação e, para isso, seria encaminhado um expediente à administração municipal pela vistoria na área do Exército. A estimativa é que as árvores ao longo da Lavapés foram plantadas há 20 anos. E são justamente as árvores mais antigas, que estão por todos os cantos da cidade, que chamam a atenção da administração municipal e, segundo Marques, passam por avaliação periódica. O gerente observou que o ipê é resistente e, especialmente os que ficam na Lavapés possuem as raízes profundas. Foram muito bem plantadas, afiançou. Segundo ele, para se plantar uma muda é preciso que a cova tenha de 80 centímetros por 80 cm no mínimo, quando for no canteiro central. Nas calçadas, de 60cm por 60cm. Quanto maior o buraco há mais resistência para as árvores, disse. Marques garantiu que em abril do ano passado foi feita análise das condições da plantas existentes na Lavapés e não foram constatados problemas. Foi feita também podas dos ipês. Para se ter 100% de arborização urbana é preciso fazer planejamento, plantar a árvore certa no lugar certo, comentou, alertando para que as pessoas não cortem as raízes quando for fazer obras do tipo calçada, por exemplo, antes de fazer a poda da árvore. O eletricista Jerson Tadeu Arruda, 40 anos, trabalha na região há 8 anos. Ele acredita que um dos problemas é a não-retirada dos galhos mais altos. Muitas árvores encostam nos fios de energia elétrica e não é feita a poda, comentou. Já a aposentada Jacira Correa da Costa criticou a forma como o serviço é feito. Aqui em Cuiabá, não sabem podar. Em frente à Igreja Mãe dos Homens esturricaram as árvores, deixaram no zero, e elas eram lindas, comentou.