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Terça-feira, 02 de Junho de 2026, 11h:11

REDE ESTADUAL

Auditoria apura inconsistência nos índices educacionais em MT

TCE instala auditoria para analisar os indicadores divulgados pelo Governo sobre evolução da Educação estadual

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Divulgação
TCE já instalou uma auditoria especializada para analisar os indicadores divulgados pelo Governo do Estado

O Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) anunciou a abertura de uma auditoria para verificar possíveis inconsistências nos dados relacionados à evolução do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), apresentados pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT), no último ano.

“Recebemos informações de que esses números podem não ser os números reais. São provas e informações que precisam ser investigadas e nós vamos fazer uma avaliação completa em todos os itens avaliados e verificar a realidade dos números apresentados”, afirmou o presidente do tribunal, Sérgio Ricardo.

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Segundo ele, o TCE já instalou uma auditoria especializada para analisar os indicadores divulgados pelo Governo do Estado, especialmente a evolução da educação mato-grossense nos rankings nacionais.

“Já recebi parte desse material e teremos uma reunião estendida com profissionais e técnicos para chegar a uma conclusão sobre essas informações”, afirmou.

Segundo o ranking de Competitividade dos Estados 2025, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP) e divulgado pela Seduc, Mato Grosso subiu oito posições em apenas um ano, passando da 16ª colocação em 2024 para o 8º lugar, no ano passado.

Conforme o estudo, o desempenho estadual se destaca pela consistência dos resultados em indicadores-chave, como frequência escolar, aprendizagem e gestão da rede, entre 2024 e 2025.

O Estado apresentou melhora significativa em diversos indicadores. A taxa de frequência líquida do ensino médio avançou 19 posições no ranking nacional, enquanto a taxa de frequência líquida do ensino fundamental subiu 13 colocações.

Também houve evolução no Ideb, com ganho de duas posições; e no desempenho do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), com avanço de uma posição.

O relatório destaca ainda uma aceleração da aprendizagem entre 2024 e 2025, período em que Mato Grosso saiu da 17ª colocação para o 8º lugar, entrando de vez no top 10 nacional do CLP.

Para o Governo do Estado, além da frequência escolar, contribuíram para esse salto a melhoria no desempenho em avaliações nacionais (Saeb/Ideb), a maior eficiência na gestão da rede e ações voltadas à permanência dos estudantes e à redução da evasão escolar.

No entanto, enquanto o governo estadual comemora os números, os resultados oficiais referentes ao desempenho no Ideb têm sido alvos de denúncias por parte do Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep).

Segundo o Sintep, manobras do Governo do Estado nos dados de aprovação e/ou evasão de estudantes da rede estadual, que é um dos componentes da equação do Ideb, distorcem os resultados, consequentemente, a real qualidade do aprendizado. 

MATERIAIS DIDÁTICOS - A análise técnica sobre o Ideb integra algumas das fiscalizações anunciadas pelo TCE na área educacional de Mato Grosso.

Entre elas, o órgão de controle apura possíveis irregularidades nas aquisições de materiais didáticos realizadas pela Secretaria Municipal de Educação (SME) de Cuiabá.

No último dia 29 de maio passado, Sérgio Ricardo criticou a qualidade dos livros didáticos adquiridos pela SME durante vistoria técnica ao almoxarifado da pasta.

Na ocasião, o conselheiro afirmou ter encontrado erros ortográficos e de concordância nos materiais, além de questionar os responsáveis pela escolha do material.

A aquisição está sob suspeita de superfaturamento de cerca de R$ 80 milhões, conforme denúncia apresentada pelo prefeito Abilio Brunini (PL).

O alvo da investigação é o período entre 2025 e 2026, quando a pasta era comandada pelo ex-secretário Amauri Monge, que nega as irregularidades.

A investigação, conforme o conselheiro, será estendida à Seduc-MT. Segundo Sérgio Ricardo, o Tribunal já identificou indícios de padrão semelhante em compras realizadas por diferentes prefeituras.

“Se isso está acontecendo em Cuiabá, imagina no interior. O Tribunal de Contas vai investigar todas as prefeituras do estado e as aquisições da Secretaria Estadual de Educação. Vamos fazer um levantamento completo para saber quanto dinheiro público foi desperdiçado”, afirmou.


Edição EDIÇÃO 16956




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