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Cuiabá MT, Quarta-feira, 17 de Junho de 2026

CIDADES
Sábado, 22 de Dezembro de 2007, 13h:16

BEIRA RIO

Atenção: pista perigosa

Exatamente um ano depois do recapeamento, a avenida Beira Rio se consolida como uma das mais perigosas de Cuiabá

KEITY ROMA
Da Reportagem
Há um ano a avenida Beira Rio era entregue à população pela prefeitura de Cuiabá recapeada do início ao fim. Os buracos e desníveis da via deram lugar a uma pista que caiu na graça dos motoristas. O fluxo do tráfego aumentou e com ele surgiu um problema: a falta de redutores de velocidade e de sinalização, aliada à imprudência de dezenas de condutores, tornou a avenida uma das mais perigosas da cidade e cenário de tragédias. Mais de 100 empresas estão instaladas na Beira Rio, além de duas faculdades com cerca de 19 mil alunos no total, o que revela a movimentação intensa na avenida. A via começa no bairro Porto e se estende até a Fernando Corrêa, passando pela rotatória que leva a Várzea Grande e também dá acesso a inúmeros bairros. Com cinco quilômetros de extensão, existem apenas dois quebra-molas em frente às universidades e um terceiro na entrada do bairro Praeirinho. Não possui sinalização nos retornos - ao longo da avenida são 12 operando e outros sete interditados.“Ninguém sabe que em determinado ponto da pista há um retorno, daí os motoristas vêm correndo com tudo e batem nos que estão parados para retornar. Toda semana há no mínimo três acidentes nessa avenida”, diz João Guering, comerciante que trabalha em uma barraca na margem da via há dois anos. Os acidentes de fato não são raros. A Polícia Militar registrou 122 ocorrências sem vítimas até o mês de novembro na avenida e a Polícia Civil 62, contudo a corporação não soube informar quantas mortes aconteceram nos acidentes de trânsito. As altas velocidades são na maioria das vezes a principal causa das batidas. Muito além das estatísticas, a família do motoboy Gilvan Gonçalo de Souza, 26 anos, conhece a dor da perda causada pela falta de consciência no trânsito. Há exatamente um mês ele morreu vítima da imprudência alheia. Um carro com alunas de uma faculdade seguia sentido ao centro em alta velocidade. A motorista perdeu o controle da direção, capotou e o veículo foi parar na pista contrária, no trecho ao lado da Acrimat. O motoboy seguia rumo à Fernando Corrêa e foi atingido pelo veículo. Gilvan tinha planos para 2008. Pretendia ter um filho com a esposa Maria Nunes de Carvalho, 30 anos, e comprar uma moto. Em casa, todos os 11 irmãos ainda choram a morte do cativante rapaz, que cuidava diariamente da mãe doente. “Ele podia estar fazendo o que fosse, mas sempre passava na casa da nossa mãe para ver se estava tudo bem com ela. Era um menino sempre alegre e tudo o que ele podia fazer para alguém, ele fazia”, relata a irmã Gisele Maria de Souza, 31 anos. A família se revolta quando lembra que antes do motoboy falecer com traumatismo craniano, ele ficou das 11h30 até a meia-noite esperando por uma vaga de UTI no Pronto-Socorro de Cuiabá, sem receber atendimento. O acidente com Gilvan aconteceu no dia 19 de novembro e no dia 23 ele morreu. Cinco dias antes da colisão, o motoqueiro André Luiz Spack, de 19 anos, também bateu na traseira de um caminhão, que possivelmente realizava uma manobra imprudente para pegar um retorno. Ele morreu na hora. Dias depois, foi a vez de um andarilho morrer atropelado após entrar correndo no meio da pista. Oscar Soares, ex-secretário municipal de Trânsito e Transportes Urbanos e que inaugurou a obra, afirma que a sinalização na avenida Beira Rio é uma das mais perfeitas da cidade, e que acredita que os únicos fatores que estão causando acidentes são o aumento do fluxo e a imprudência dos motoristas. Há um projeto para uma readequação dos retornos, a ser implementado em 2008, mas para reduzir a velocidade na via não há nada previsto.

Edição EDIÇÃO 16964




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