Até o dia 24 deste mês, a população de todo o Brasil poderá enviar sugestões e críticas à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que propõe, por meio da Consulta Pública de nº 1/09, mudanças nas normas para bulas de medicamentos. Entre as propostas, está a definição de tamanho mínimo para a letra, tipo de fonte e espaçamento entre parágrafos, para melhorar a visibilidade e facilitar a leitura. Uma das queixas, afirma o presidente do Sindicato das Farmácias de Mato Grosso (Sincofarma), Ricardo Ramão Cristaldo, é realmente quanto às normas técnicas presentes nas bulas. Para o auxiliar de produção Cícero Fernandez Pereira, de 36 anos, além dos termos técnicos, o tamanho da letra e a cor, que muitas vezes são acinzentadas, também incomoda. Eu não tenho problema de visão, mas tem muita gente que não consegue ler aquelas letras tão pequenas e claras. De acordo com ele, a fonte deveria ser mais legível. Quando a pessoa for ler, assim vai saber que tipo de substância estará tomando. No entanto, alerta o presidente da Sincofarma, a mudança no texto das bulas, que deverá ser mais acessível à população, poderá surtir um efeito negativo. Pode aumentar os casos de automedicação. O consumidor vai entender o que vai estar descrito na bula, e vai começar a associar aquele medicamento às suas eficácias, ao destacar que a linguagem mais simples pode gerar interpretações que podem incorrer em riscos à saúde do consumidor. Entretanto, salienta o presidente, o benefício à população vai prevalecer. Com uma linguagem mais popular o consumidor vai saber o que ele lê, e o que está tomando. Até então, somente médicos e farmacêuticos sabem o que está especificado nas bulas. Se houver a mudança, a aposentada Dalva Soares, de 75 anos, poderá voltar a ler as bulas dos remédios que costuma tomar. Isso porque, depois de várias tentativas, sem sucesso, ela desistiu de tentar entender o sentido real do que está escrito nesses pequenos informativos. As sugestões poderão ser encaminhadas por escrito ao endereço: Agência Nacional de Vigilância Sanitária/GGMED, setor de Indústria e Abastecimento SAI, trecho 05, área especial nº 57, Brasília-DF, CEP 71.205-050. O e-mail
[email protected] e o fax (61) 3462-5586 também estão disponíveis.