CIDADES
Quarta-feira, 30 de Setembro de 2009, 01h:50
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ASSÉDIO SEXUAL
Aliciamento dentro da sala do coordenador
Relatos das duas estudantes flagradas no motel com professor do CIN à polícia dão conta de que Salomão perseguiu alunas na escola para ter relação
Os assédios do professor e coordenador do Colégio Isaac Newton (CIN), Fernando Bicudo Salomão, de 37 anos, a duas alunas menores de idade aconteciam na sala dele na escola e envolviam outros funcionários, segundo os relatos das estudantes em depoimento à polícia. As meninas contaram que há meses passaram a receber benefícios escolares de Salomão. Os favores teriam se transformado em chantagem para que as duas mantivessem com ele relações sexuais. Salomão foi preso em flagrante por assédio sexual qualificado anteontem, às 21h, em uma suíte do Eros Motel com as alunas de 16 e 17 anos. Preso e conduzido ao Cisc do Planalto, ele foi liberado na manhã de ontem, após o pagamento de fiança de R$ 1,2 mil. A liberação revoltou familiares das garotas, que fizeram a denúncia. No depoimento prestado no Cisc do Planalto, as estudantes S.A, de 17 anos, e K.G, de 16 anos, revelaram que constantemente eram chamadas na classe por inspetores para que fossem até a sala de Salomão, que ocupa função de chefia há oito meses. No local, o professor teria cortejado as menores, às vezes as chamando de gostosas. Ele teria tocado nos seios de uma delas e dado um tapa nas nádegas da outra. Com depoimentos semelhantes, as meninas contaram que as primeiras investidas do professor começaram em 2008 contra S.A, quando lecionava física. Depois, ao procurar a coordenação para deixar a escola, devido a restrições financeiras, Salomão teria oferecido à aluna redução da mensalidade e, depois o parcelamento dos valores sem demonstrar qualquer interesse na menina. Depois, teria oferecido um serviço de panfletagem para o colégio com o pagamento de R$ 50. Salomão teria dito, então, à garota que poderia ficar com o dinheiro e não precisaria prestar o serviço. Em uma ocasião, em que a menina fazia duas provas, de história e de matemática, teria sussurrado para ela que ele terminaria o exame. A menina teria aceitado todas as concessões e, depois começou a ser assediada e pressionada por ele. Para evitar ir sozinha à sala do coordenador, ela teria chamado a amiga K.G para ir junto. Então, as duas começariam a receber, juntas, galanteios do professor. Há cerca de 20 dias Salomão repassou às estudantes um envelope com o timbre da escola contendo as provas que seriam aplicadas no semestre, acompanhadas dos respectivos gabaritos. Uma terceira estudante também teria recebido o pacote e pode ter sido vítima do docente. Vamos fazer uma festinha a três, teria dito às alunas, de acordo com o depoimento delas. Desde agosto deste ano, a pressão teria se intensificado. Percebi que a minha enteada estava muito diferente. Não queria ir mais à aula. Ela estava mal na escola, de repente, teve um aumento muito grande das notas e vinha recebendo telefonemas o tempo todo, disse o padrasto que perseguiu o carro que conduzia a enteada até o motel sem saber que era do professor, após fazer campana para observá-la na frente da escola, o que culminou com o flagrante. As estudantes relataram que não queriam que os pais descobrissem sobre as alterações nas notas e, diante da insistência do professor, acabaram cedendo. Quando entraram para a aula, foram abordadas no pátio por uma secretária e dispensadas. Elas foram andando até a frente da Clínica Femina e, lá, entraram no carro do professor, que estava em horário de trabalho. O padrasto procurou a Delegacia de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente e, sem indícios do que estava acontecendo, resolveu investigar por conta própria. O que revolta a gente é ele ter sido solto em poucas horas. Será que o estupro precisa se consumar para um cara desses ficar preso?, disse o padrasto da menina de 16 anos.